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CUESTA VERDE / Jornalismo de Verdade




quinta-feira, 24 de julho de 2014

Da Série "O Sangue Derramado": OS VIVOS NÃO MORREM ONDE OS MORTOS NÃO VIVEM

            Em meio à razão da noite, um pastor-belga se materializava, graças à distante luz da lâmpada de vapor de sódio de um poste. Que era refletida por seu lustroso pelo, pelos enigmáticos olhos e repousava na fumaça em que, em função do forte frio, sua respiração se transmutava. Enquanto observava um cidadão que, junto ao tal poste, fumava.
           
            - Você não me disse que era tabagista – comentou uma moça pálida que, com uma bolsa pendurada no ombro, do tal sujeito se aproximou. Uma mulher que aparentava ter acabado de sair da adolescência. E se distinguia por possuir lábios carnudos e pintados de preto, grandes olhos azuis, que eram “exotizados” por uma maquiagem em estilo egípcio, e por ostentar um penteado em modelo colmeia, que, devido à sua pouca idade, levava a deduzir que era mais inspirado em Amy Winehouse do que em Elvira, a Rainha das Trevas.
            - Quer uma cigarrilha Zino, Beatriz? – ele perguntou, ao notar que, em decorrência do decréscimo de distância, dois “piercings” de ouro branco destoavam do rosto da criatura. Um captive, no lábio inferior, e um barbell, na sobrancelha. Consequentemente, também inferindo que o descoramento da cuja era causado por um problema de circulação sanguínea. Já que a roupa de couro preto, que ela usava, era tão apertada que a fazia, aparentemente, ter mais massa do que sua pouca carne, em outra circunstância, daria a entender.
            - Mais tarde, Emeric. Bem mais tarde. Se valer a pena – Beatriz respondeu, sem se concentrar no discurso. Visto que se deslumbrava com o comprimento exacerbado do rabo-de-cavalo dele.
            - Valerá – Emeric “contra-argumentou”, sem perder um detalhe da cuja. Como as pontas de uma tatuagem que lhe subia pelo pescoço.
            Todavia, em acordo com uma proposta preestabelecida, e aprovada por ela, dele – que tinha o propósito de poupá-los de algum possível acanhamento –, o duo perpetrou seu primeiro contato por meio de um breve ósculo; em que se tocaram com o canto de suas bocas.
            - Você é mais bonito do que eu esperava – Beatriz observou, ao se encantar com a doce malignidade que as espessas sobrancelhas outorgavam às vistas do cujo. Em que as íris sustentavam um tom achocolatado tão intenso que, por vezes, resvalava em uma pigmentação avermelhada. E concluiu: - Inclusive, suas fotos se parecem com pinturas.
            - É um truque.
            - Truque?
            - Espalham-se algumas pinturas hiper-realistas pela internet; para, na hora do “vamos ver”, surpreender.
            - Tem mais algumas surpresas aí?
            - Algumas.
            - O que é isso? – ela perguntou, ao se intrigar com a sacola cinza que ele carregava. Que, em função da iluminação pública, às vezes, adquiria uma tonalidade esverdeada.
            - Um macio colchonete.
            - Você sempre pensa em tudo?
            - O demônio se esconde nos detalhes.
           
            Enquanto várias nuvens sombrias vagavam pelo céu, o duo caminhou no curso de seu almejado destino. Que era discriminado por um letreiro arqueado e em neon azul em que se lia: “Cemitério Municipal de Arcádia Paulista”.
           
            - Me espera, aqui – pediu Emeric.
            - Não demora – Beatriz consentiu, ao seu modo, ficando à beira de uma larga calçada.
           
            Sem mais, ele tomou o rumo da entrada do cemitério. Chamando a atenção de um elemento alto, magro e que se trajava como um policial. Só que sem ter a posse de um distintivo. E que, por trás das desgastadas grades de um grande portão, ajeitou seu quepe e testou a lanterna.
            - Boa noite – saudou Emeric.
            - Boa noite – respondeu o desconfiado, porém morigerado, vigia.
            - Muito movimento, hoje?
            - Depende... Aqui, dentro, ou aí, fora?
            - Como dizem: “Os vivos não morrem onde os mortos não vivem”.
            - Em que eu posso te ajudar?
            - Qual é o seu nome?
            - Severino.
            - Severino, eu me chamo Kretzulesco, Emeric.
            - Kret...
            - Emeric.
            - Pois não, Emeric...
            - Está vendo aquela “gata”? – e, com uma leve oscilação da cabeça, acenou em direção a Beatriz.
            - Caprichada.
            - Até demais. E por conta disso, ela só quer transar comigo, se for dentro de um cemitério.
            - Que “barra”!
            - Ela nunca transou em um... E uma mulher deste “naipe” não se encontra por aí.
            - Olha, amigão... Se dependesse de mim, você poderia transformar esse lugar em um bordel. Mas se te pegam no flagra, eu vou ter que pedir esmola.
            - Não há alguém, aqui, que represente uma ameaça ao seu ofício, Severino. Fazendo com que a condição de “tolerável”, ou não, seja uma tarefa meramente interpretativa. Assim, as competências em que se incluem a missão de manter a louça lavada, os quadros alinhados com o horizonte e o gato nutrido são parte de um ônus exclusivamente seu.
            - Por isso, creio que você concorda com o meu receio em abrir a porta de casa a um desconhecido. O mínimo que pode acontecer, é o gato escapar.
            - Quanto a isso, não há discussão, Severino. E como raciocinamos na mesma frequência, eu sei que você está se vendo, como eu estou me vendo, diante do inusitado. O que não ocorre comumente. Mas que nos dá, assim, a chance de ter mais uma história para contar.
            - Realmente, não é algo corriqueiro.
            - E tem mais, Severino: você tem de fazer a ronda por todo o perímetro, durante essa gélida, porém bela, noite. Entretanto, há mais hectares de solo santo do que você tem de “perna” para caminhar. Logo, empatamos. Você se ocupa com uma parte da diligência; e nós damos fim à outra. Afinal, qual é o indivíduo que, na calada da noite, terá coragem de enfrentar duas entidades que gemem euforicamente, em meio a um cemitério.
            - Vocês vão fazer muito barulho?
            - Nada que atormente o sono dos mortos.
            - Isso não é blasfêmia?
            - Severino, o ato não se estende para além da consumação do fato. E por isso, o desejo é apenas o início de um fim. Logo, não há regresso. Tudo o que tinha de ser feito já está em movimento. E nós só estamos no meio do caminho.
            - Então você me transformou em um pecador?
            - Vamos alçar a situação ao seguinte patamar, Severino: você opta por não nos ver entrando e, consequentemente, não nos verá saindo. Por fim, nada terá acontecido.
            Todavia, sem conseguir se livrar do forte fitar de Emeric, Severino sentiu o peso da chave do portão aumentar. E, antes que o bolso da sua calça cedesse, disse:
            - Tá bom. Seja rápido – então, sacou um molho de chaves, que estava atrelado a um chaveiro enferrujado em forma de caixão, do bolso, escolheu a certa e, meio a um festival de ruídos metálicos, colocou-a em ação.
           
            Pela via de paralelepípedos, as botas country de couro claro dele e as meia-patas de couro preto fosco dela produziam um som que, por ser encorpado, pouco ressoava.
            - Para onde vamos? – interrogou Beatriz.
            - Não sei.
            - Como não sabe?
            - Não estou indo a um local específico. Estou em busca de um lugar que se adeque ao nosso intento – e retirou da sacola uma garrafa cantil negra de bolso. Que abriu, com o fim de se contentar com o seu conteúdo.
            - E existe algo do tipo, aqui?
            - Torço para que sim.
            - Vou torcer, também.
            - Quer? – Emeric indagou e ofereceu o recipiente a Beatriz.
            - O que é isso? – ela questionou, sem recusar a oferta.
            - Tuica.
            - O quê?
            - Um destilado de ameixa.
            - Hum... – ronronou e tomou um gole. – Arg!!! – grunhiu em resposta ao inesperado teor.
            - Forte?
            - Já engoli coisa pior – explicou, sem conseguir conter uma indisfarçável careta, e devolveu a beberagem a ele.
            - Chegamos – falou Emeric, ao parar e ingerir uma dose da sua Tuica, diante de um túmulo de uma gaveta e revestimento de granito rosa, que respondia às necessidades inerentes ao rito conubial que tinha a intenção de perpetrar.
            - Aqui?
            - Alguma restrição?
            - Nenhuma – Beatriz falou de forma conflituosa. Já que, uma inexplicável e leve alteração da sua pressão sanguínea lhe fraquejou a voz, assim que na lápide leu: “Aqui jaz Petula Sally Olwen Clark”, que nasceu em 15/11/1932 e foi imortalizada pela ação de algum vândalo que, no auge da sua idiotice, subtraiu os algarismos que completavam a informação.
           
            Sobre a sepultura, com o auxilio de Beatriz, Emeric ajeitava o colchonete. E via, no procedimento dela, o rastro de uma vasta educação. Já que a cuja, que se mostrava prendada, tentava, com o máximo de exatidão, alinhar as pontas da forração com as quinas do sepulcro. Contudo, também não escapando do seu mirar a perda gradual de graciosidade que a afligiu. Como se, talvez, inconscientemente, quisesse assumir uma forma grotesca, com o fim de repeli-lo.
            - Vamos fazer um jogo – então, propôs ele. – Como em “O Silêncio dos Inocentes”. Um quiproquó; em que, para cada tatuagem que eu te mostrar, você me revelará uma sua.
            - Você não tem tanta tatuagem assim – ela afirmou, com um indisfarçado tom de ironia.
            - Quer ver?
            - Quero.
            Quando o dito retirou seu casaco Pierre Cardin cinza e exibiu os desenhos da Tumba de Pakal e do Olho de Hórus, que lhe rasuravam os braços.
            - Gostei – disse ela.
            - Quiproquó.
            E Beatriz teve de readquirir a estética esquecida, para se despojar da jaqueta. Já que a veste, que de tão justa lhe ficava “injusta”, a obrigou a fazer uso de uma elasticidade similar a de uma víbora. Assim, expondo, no braço, uma Matrioska, no ombro, uma Lua Tribal, no pulso, uma Pimenta e um Fênix Tribal, no dorso. Que, em virtude da brancura da pele e da curvatura de tais áreas, se assemelhavam às gravuras que ilustram os tomos de qualquer códice da Idade Média. Ademais, assim que ele se desnudou da camiseta do Tottenham Hotspur, mostrando a Máscara de Hannya, que lhe cobria as costas, ela se desfez do top preto, evidenciando, em sua totalidade, o Coração Alado que lhe caía por entre os seios e cujas penas se esgueiravam rumo ao seu cachaço. Entretanto, Emeric apontou para os próprios mamilos; obrigando-a a se livrar do sutiã. Doravante, ele tirou as botas, as meias e a calça jeans, liberando a Teia em que residia uma Viúva Negra, a lhe adornar a coxa, quase simultaneamente a Beatriz. Posto que a cuja, cuja pele estava rosada, por causa de uma ligeira febre, com dois chutes, ficou descalça. Depois, desabotoou a parte inferior do traje, manipulou o zíper e o arriou, sem fazer cerimônia. Sem ter, tal qual seu par, muito para mostrar. Pois apenas tinha um rosário traçado no tornozelo e um Cupido Satânico gravado na bunda. Contudo, a fim de ver o longo falo que ele mal conseguia guardar na cueca, ela se antecipou e, com as mãos empapadas de suor, tirou sua calcinha de renda negra. E, sem mais, apontou para a vagina – cuja densa pelagem estava aparada em estilo moicano – e, com um desengonçado sorriso, afrontou o seu momentâneo rival.
            - Não vejo tatuagem alguma aí – ele criticou com um indisfarçado tom de insatisfação.
            Quando Beatriz deu uma bufada e, com a tez encarnada, ergueu os punhos trêmulos e cerrados. Mas se conteve e respirou profunda e pausadamente. Depois, puxou sua crina de pelos pubianos para o lado, revelando a reprodução do símbolo de Vênus, que lhe personalizava a enrugada região. E, então, com um psicótico olhar, inquiriu o cujo com um singelo vocábulo:
            - Quiproquó.
            Logo, Emeric mostrou-lhe os traços que, como em uma régua, se dividiam em milímetros e centímetros e se estendiam sobre o seu membro. Que se ampliou rapidamente. Tanto que a instigou com um senso de realismo, ao lhe confrontar com a seguinte constatação: “Eu não tô com essa ‘bola’ toda”. E que, ao ser encapado com um preservativo vermelho, se assemelhou com o mercúrio que, dentro de um termômetro, se expande ante uma alta temperatura. Uma intensidade que ele mensurou nela, por via oral, normal e animal.
           
            - Minha mãe fica fula da vida com qualquer coisa – Beatriz explicou, ao se esforçar para se observar em um espelho de bolsa que, em decorrência da pouca luminosidade, não refletia muita coisa. – Principalmente, quando a minha irmã aparece com a maquiagem borrada – e se sentou em busca de um melhor resultado.
            - Sua irmã é festeira? – perguntou Emeric que, deitado ao lado dela, apreciava um Cohiba Behike BHK 52.
            - Descuidada.
            - Muito?
            - Não é isso. É que, desde que meu pai foi embora, a minha mãe não “deu” mais. Nem sei se se masturba direito. Sei é que ela libera a vontade reprimida em quem estiver por perto.
            - Em quem não reaja violentamente, eu suponho?
            - É para isso que filho serve.
            - E daí?
            - “Tá sem movimento no puteiro?”, ela berra quando a coitadinha da minha irmãzinha se lembra de que tem casa. Tudo porque a menina, por mais que tente aparentar estar intacta, sempre deixa uma pequenina falha no cantinho esquerdo da boca. Bem lá. Talvez, porque seja canhota. Ou porque o namorado dela tenha o pinto torto. Do que eu duvido. Porque, comigo, que sou ambidestra, borra de forma homogênea. E, por mais ruim que seja o reparo, as discrepâncias não aparecem. E também, porque eu já vi pinto torto de tudo que é lado e nunca tive problema.
            - Conclusão?
            - Que todo motel deveria oferecer um maquiadora. Afinal, amor não arranca pedaço. Exceto do coração.
            - Que romântico.
            - Só sou romântica quando estou apaixonada.
            Ao que ele respondeu como uma profunda tragada.
            - Assim não dá! – esbravejou Beatriz. Que apanhou sua bolsa Roslin SS e nela guardou o espelhou. Para, então, se preparar para alcançar o xeque-mate em três jogadas. Visto que sentia tê-lo fragilizado emocionalmente. Logo, retirou da bolsa uma pistola Taurus PT 368 e um par de algemas German com dobradiças e ocultou-as junto à coxa. Depois, apanhou um Smartphone, em cuja capa havia a logomarca da banda Dead Kennedys, acionou o autorretrato, focalizou o próprio rosto e concluiu:
            - Joia.
            - Contente?
            - Ainda não. Vem fazer um “selfie” comigo.
            Sem mais, Emeric se sentou, passou o braço por trás dela e a puxou; aninhando-a na segurança do seu corpo.
            - Fotografou? – ele perguntou, ao se intrigar com o desassossego que alvoroçou sua companheira.
            - Não – disse ela, ao quase deixar o aparelho cair, devido ao malabarismo que efetuou, com o intuito de enquadrá-los corretamente.
            - Algum problema?
            - É que você não está aparecendo.
            - Por que será?
            Quando Beatriz arregalou os olhos e se virou para Emeric. Vendo-o, com os caninos proeminentes, avançar em sua direção.



Condessa Drácula
Um filme de Peter Sasdy
(Inglaterra / 1971)





            Todavia, há um ditado que afirma o seguinte: "a boa mulher é aquela que perdeu a virgindade e manteve a classe". Contudo, como é possível manter a "classe" se se cultua o axioma que prega que "o aspecto proveitoso da fidelidade é que ela comprova o quão prazerosa é a promiscuidade"?
            Simples: criando uma sociedade paralela. Em que a distorção social transforma a fraqueza em virtude.
            Assim, um grupo de misses embarcou em uma cruzada contra a real razão de seu fracasso: a competência alheia. E se deparou com o sucesso da incompetência: ou seja, o acaso.

 
A Quadrilha das Misses Assassinas*
(*disponível nas melhores bancas e livrarias)

http://www.clubedeautores.com.br/book/124263--A_Quadrilha_das_Misses_Assassinas

quarta-feira, 18 de junho de 2014

50 TONS EM VERMELHO (O Ensaio de Amanda Gontijo para a Playboy)

            “‘E a criatura tinha de ser ruiva?’, perguntou o Bispo. ‘Era sine qua non?’
            ‘Absolutamente’, Duclos respondeu. ‘Essas mulheres, como o Monsenhor sabe, exsudam um aroma subaxilar infinitamente muito mais violento, e seu sentido de olfato uma vez excitado, não há dúvida a esse respeito, por odores amadurecidos, exacerba imediatamente seus órgãos de prazer’.
            ‘Claro’, concordou o Bispo. ‘Mas, por Deus, acho que teria preferido cheirar o ânus dessa mulher, a fungar na sua axila’.”
            Todavia, esse diálogo, em que há um câmbio de deliberações, entre um senhor e sua cortesã, em relação a uma concubina de cabelos encarnados, foi extraído de “120 Dias de Sodoma”. Uma obra que foi concluída, em 1786, por Donatien Alphonse François de Sade, o famigerado Marquês de Sade; durante a época em que “puxou cana”, na Bastilha. E que, por conta das intempéries do período, se perdeu. Só sendo recuperado, em sua não totalidade, editado, por Maurice Heine, e publicado, pela Sociedade do Romance Filosófico, em três volumes, nos anos 1930.
            Ademais, outras peculiaridades relacionadas às ruivas podem ser captadas através da edição de Nº 468 da Playboy de maio de 2014. A qual, dando prosseguimento à série de desnudamentos de ícones televisivos, que, na publicação precedente, exibiu Gaby Potência, como estrela do mês, apresenta Amanda Gontijo. Que, como uma cafetina da própria estética, só conseguiu projeção nacional ao participar do programa “Big Brother Brasil 14”, da Rede Globo de Televisão.
            Inicialmente, podendo concluir que, sob a cabeleira vermelha de Amanda, há um agrado da natureza: um rosto alongado. Que lhe atenuará os nocivos efeitos do tempo. O que, ao lhe conservar o charme, por um tempo indeterminado, determinar-lhe-á uma longevidade sexual.
            Com isso, suscitando a seguinte questão: “Qual o destino que terá?”
            Já que, quando inquirida, em uma breve entrevista, sobre a possibilidade de trocar a “pica” pelo “velcro”, como resposta, ela deu concisão da incógnita.
            Até lá, sendo preservada pela concepção artística do fotógrafo Marlos Bakker – que se notabilizou por ter respondido pelo ensaio de Thaiz Schmitt, em dezembro de 2013. E que levou Amanda à suíte Lush Lounge, do Lush Motel, no bairro do Ipiranga, em São Paulo.
            Onde a cuja exibiu algo que é “démodé” na pornografia contemporânea: pelos pubianos.
            Que lhe conferem um tom de ferrugem à vulva. A qual, como uma pira, paira sobre grossas coxas.
            Mais o fato de se tratar de uma mulher tetuda. E que, contudo, não convence. Já que os mamilos, embora eriçados, não possuem a agressividade que é inerente a quem se compraz com a nudez.
            Talvez, mais por naturalidade do que por timidez. Posto que (como se sabe) ela faz da exploração não invasiva do corpo o seu ofício.
            Enquanto, por trás, traz uma bunda caprichada. Que a habilita a efetuar o coito em locais alternativos – sujeitos à escassez de prazo e dimensão. Como o banheiro de um avião, uma cabine telefônica ou o confessionário de uma igreja.



sexta-feira, 16 de maio de 2014

A MULHER DO PRÓXIMO (O Ensaio de Gaby Potência para a Playboy)

            Em 2005, Matt Blum, um fotógrafo norte-americano, deu início ao “The Nu Project”. Ou o “Projeto Pelado”. Que consiste em rodar o mundo em busca da mulher mundana. Com a ideia de que, ao desnudá-la, se despirá o seu apreciador dos seus conceitos, ao atiçá-lo com o fetiche que está contido no Décimo Mandamento: “Não cobiçar a mulher do próximo”.
            Tudo porque as suaves imperfeições do corpo de uma mulher se traduzem nos códigos que a tornam acessível à malícia de qualquer marmanjo malvado. Que, por elas, faria a cuja se submeter aos caprichos da sua voluptuosidade sexual. Assim, relegando à condição de “macho furtivo” o cidadão que um dia ousou desposá-la.
            Todavia, a edição de Nº 467 da Playboy de abril de 2014, logo na capa, expõe a estrela do mês, Gabriela Fontenelle (discriminada sob a alcunha de Gaby Potência), com uma câmera Aires Automat nas mãos. Segurando-a diante da vulva. Com isso, suscitando uma analogia entre ambas, ao simplificá-las em um instrumento que saca o fotografado da realidade e o congela no tempo. Sem se empolgar, talvez, com a menor imperfeição que o dito possa ter.
            Ademais, tal qual sua antecessora, Mari Silvestre, Gaby Potência é um derivado da TV aberta brasileira. Pois, enquanto a outra brilhou dentro do elenco do “Caldeirão do Huck”, ela se destacou como uma das atrações sensuais do programa “O Melhor do Brasil”, da Rede Record.
            Contudo, dentro da cultura contemporânea, e de um quarto no Sheraton São Paulo WTC Hotel, o ensaio fotográfico conduzido por Ricardo Corrêa se mantém em um universo de muita pele e nenhum pelo. Perpetuando a ausência do item que separa as mulheres das meninas. O que, para Gaby, não resulta em prejuízo. Posto que seus atributos físicos não são encontrados em menina alguma ou em “84,7%” das mulheres.
            A começar pelo rosto: uma efígie nervosa que molesta quem quer que a encare.
            Mais a cabeleira preta que, em contraponto ao pescoço, faz o vampiro afiar os dentes.
            Quando, por entre os seios, se passa pelo palco de uma “espanhola” que, nas idas e vindas, ampliaria as expectativas dela e de seu pretenso amásio.
            Sendo que, quanto a ele, o motivaria a se esfregar pelo marombado abdome dela. Enquanto que Gaby se umedeceria a ponto de lhe marinar o membro no caldo do coito.
            Com quanto que no verso há uma bunda que, a ser acentuada pela estreita cintura, se faz afrodisíaca.
            O que remete a uma indagação: “Como é que nenhuma fábrica de papel higiênico nunca contratou uma “boa de bunda” para ser sua garota-propaganda?”
            Afinal, qual é a mulher que “ganha o pão pela bunda” que não se higienizaria com um produto qualificado?
            Por fim, pelas coxas gostosas se chega à única parte do bronzeado corpo de Gaby que não é revelado: os pés. Aos quais, de joelhos, todo homem estaria apto a cair de boca na risca que a cuja carrega em meio às pernas.



quinta-feira, 17 de abril de 2014

INDECÊNCIA (O Ensaio de Mari Silvestre para a Playboy)

            Em 1988, o autor Jack Engelhard publicou “Proposta Indecente”. Um romance que, em 1993, pelo diretor Adrian Lyne, adaptado para o cinema foi.
            Sendo que essa versão se caracteriza por duas peculiaridades: uma, “interna”, e outra, “externa”.
            Com a “externa” estando relacionada com o fato de que os atores principais, Demi Moore – no papel de Diana Murphy – e Robert Redford – como John Cage –, se imortalizaram como ícones sexuais de distintas gerações.
            Enquanto que a “interna”, indiretamente influencia pela “externa”, está condicionada à trama que envolve David Murphy – personagem que foi representado por Woody Harrelson. Em que ele é inquirido por Cage sobre a possibilidade de lhe vender os dotes libidinosos de Diana, sua esposa, por uma bagatela de US$ 1.000.000,00.
            O que descamba na seguinte questão: “Quanto vale uma mulher?”
            Cuja resposta está na resolução de alguns quesitos. Como: “O que fazer com o ‘autorespeito’?” Ou melhor, “com a capacidade da cerviz suportar o peso do ‘chifre’ que se carregará”. E: “Como avaliar as aptidões físicas e intelectuais do produto?” Pois, em se tratando de uma mulher feia, pode-se ofertar um desconto e até o cartão de um psiquiatra, para o tratamento de algum futuro trauma. Agora, se a cuja for apenas inteligente, deve se emprestar um tubo de Hipoglós, pois ela aproveitará a oportunidade para trepar como se não houvesse “amanhã”.
            Por fim, há de se pensar no pós-venda. Ou seja, numa provável “resmungação”.
            Para, então, prever o resultado da operação; se lucro ou prejuízo.
            Entretanto, há o ponto de vista do interessado. Que pode ser compreendido na edição de Nº 466 da Playboy de março de 2014. Em um ensaio em que é possível estimar cada centavo de um provável investimento. Já que, sob o olhar do fotógrafo André Passos, ele torna viável a vistoria das virtudes e vicissitudes de Mari Silvestre.
            Mari Silvestre que, como Aline Prado, sua antecessora no posto de estrela do mês, se notabilizou no imaginário masculino, por meio da Rede Globo de Televisão. Onde, enquanto uma deu forma à Globeleza, a outra exerceu o ofício de “assistente de palco”, no programa “Caldeirão do Huck”.
            Doravante, dentro da proposta da publicação, que era a de interpretar a intérprete de um espetáculo de burlesco, Mari se expôs em um ensaio que lhe revelou tudo; menos, a alma. Dado que, no teatro do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, no Bom Retiro, em São Paulo, ela incorporou uma “cara de quenga”, um “busco de rameira” e uma “bunda de meretriz”. Com uma vagina que, apesar da escassez de pelos e do excesso de recato, em meio a um fausto quadril, não deixa de ser uma legítima “receptora de pica”.
            Não que a bunda também não seja. Pois é do tipo que, na garupa de uma Ducati 1199 Panigale S, se torna o símbolo de algo que pouquíssimos homens podem usufruir.
            Mas de que muitos poderiam se inteirar, caso o ensaio tivesse captado a aura dos quadrinhos de Milo Manara. Deixando-a confortável no desconfortável quarto de um motel do Largo do Arouche. Onde, de porta aberta, em um imundo banheiro, ela urinaria. E, depois, regressaria à cama, onde estaria um indigente bêbado, e se limparia com o lençol, assinalado pela réstia de esperma que escarara.



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CUCARACHA'S BURGER - PARTE 002

CUESTA VERDE / Jornalismo de Verdade 04 de março de 2023