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CUESTA VERDE / Jornalismo de Verdade




quarta-feira, 24 de junho de 2015

Da Série "Sonetos Para a Juventude": TREZE ANOS

            Lembro que você tinha treze anos
            E procurava pelos seus tamancos
            Numa areia com tom de ouro branco
            Após deixar a calma do oceano

            Você não precisava de amuletos
            Já que os segredos da sua juventude
            Estavam presos na beatitude
            Superficial dum biquíni preto

            E do cabelo longo, liso e lindo
            Pingavam os resquícios advindos
            Duma imensidão de água azul-cobalto

            Mas sua alma me era inacessível
            Pois ela estava mais intransponível
            Do que um parco pedaço de basalto

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Coluna SNACK BAR - O Lado B da Humanidade: POR ESPORTE (Relembrando Cazuza)





            POR ESPORTE
            (Renato Pop & Mateus Duarte)
           
            Falando como um louco e profético arauto
            Te tomei dum asfalto sujo e decadente
            E te levei pro quarto duma nobre corte
            Pra surtar com o amor de mais um delinquente
           
            Oh, desalmada alma que encontrei na ruína
            E tirei da rotina, apenas por esporte
           
            Oh, desalmada alma que encontrei na ruína
            E tirei da rotina, num lance de sorte
           
            Você dispensou a calça e a regata rasgada
            Com a graça da gata que não é mesquinha
            E vagou rumo ao fundo vazio do meu peito
            Onde, com desajeito, se aninhou sozinha
           
            Oh, desalmada alma que encontrei na ruína
            E tirei da rotina, apenas por esporte
           
            Oh, desalmada alma que encontrei na ruína
            E tirei da rotina, num lance de sorte
           
            E quando te toquei do meio da minha vida
            Senti suas intrometidas unhas metidas
            No meu fígado, baço e coração, sem dona
            Ao vê-la ir, sem carona e bastante abatida
           
            Oh, desalmada alma que encontrei na ruína
            E tirei da rotina, apenas por esporte
           
            Oh, desalmada alma que encontrei na ruína
            E tirei da rotina, num lance de sorte





Todavia, há um ditado que afirma o seguinte: "a boa mulher é aquela que perdeu a virgindade e manteve a classe". Contudo, como é possível manter a "classe" se se cultua o axioma que prega que "o aspecto proveitoso da fidelidade é que ela comprova o quão prazerosa é a promiscuidade"?
Simples: criando uma sociedade paralela. Em que a distorção social transforma a fraqueza em virtude.
Assim, um grupo de misses embarcou em uma cruzada contra a real razão de seu fracasso: a competência alheia. E se deparou com o sucesso da incompetência: ou seja, o acaso.

 
A Quadrilha das Misses Assassinas*
(*caso ainda não tenha esta obra na sua banca, click aqui, com o fim de obter desconto, ao arrematar um lote, e aumente a sua margem de lucro)

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quarta-feira, 3 de junho de 2015

EXCENTRICIDADES SEXUAIS (O Ensaio de Tatiane Cravinho para a Playboy)

            “Seu rosto estava radiante” é a frase que Jake Scully – sob a interpretação de Craig Wasson – usa para descrever o instante em que flagrou sua mulher e um terceiro, no pleno exercício do coito – em uma cena da película “Dublê de Corpo”, que foi dirigida por Brian De Palma, em 1984.
            Mas por que é que tem homem que sente tesão ao ver sua posteridade ser extirpada pelos espermas de outro marmanjo?
            Porque foi o modo que a natureza, ao longo do tempo, encontrou para incentivá-lo fisiologicamente a se conformar com as suas poucas chances de sobrevivência e deixar que a sua fêmea seja inseminada por um macho mais gabaritado.
            Todavia, no artigo “À Brasileirinha” foi aventada a hipótese de um projeto televisivo chamado “Você Quer Trepar Comigo?”. Uma atração que, embora calcada seja nos desejos que fazem qualquer mulher transpirar, não se restringe a desvendar os dilemas da alma feminina. Mas, também, a destrinchar os anseios masculinos.
            Sempre se norteando, é claro, pela máxima que Gracián escreveu em “A Arte da Prudência”; de que: “Os espectadores sempre veem mais do que aqueles que jogam, pois não se apaixonam”.
            Logo, o ele deve se antecipar ao seu início e se estender “pr’acolá” do seu encerramento.
            Para tal, baseando-se, inicialmente, no artigo “A Mulher do Próximo”, para estabelecer um cisma entre o macho alfa e o furtivo.
            Valendo-se, com esse intuito, das redes sociais dedicadas a pessoas que curtem excentricidades sexuais, para garimpar o legítimo casal suingueiro e encontrar o homem solteiro certo – do tipo que, para cada mulher que “come”, gruda um adesivo em forma de crânio sobre o painel do carro.
            Consequentemente, podendo ter como anunciante um sex shop, uma marca de energético ou uma fábrica de colchões. E, como locação, um hotel do naipe de um Bahamas.
            Onde, dos participantes, os solteiros – individual ou coletivamente, se preferirem – selecionarão as mulheres de seu interesse e as levarão aos quartos, com o fim de testá-las.
            Sendo que as aprovadas, com seus respectivos cônjuges, estarão automaticamente qualificadas para o espetáculo. Enquanto que as reprovadas abrirão outra brecha para aquelas que, no primeiro momento, foram esnobadas.
            Ademais, quanto ao “além-término”: com uma anuência contratual, a resposta à pergunta que intitula a atração só será revelada em um site exclusivo. Onde, caso afirmativa a afirmação seja, a sua consumação poderá ser testemunhada em tempo real, mediante o desembolso de uma considerável bagatela.
            Doravante, essas e outras imagens serão realçadas pelos depoimentos do marido e de outros envolvidos e organizadas com a configuração de um documentário. Que será, posteriormente, comercializado com a alcunha de “O Dia Em Que A Minha Vagina Disse ‘Sim’”.
            Assim, viabilizando a simbiose entre oferta e demanda.
            Ao contrário daquilo que para a edição de Nº 478 da Playboy de março de 2015 se vislumbrou e não vingou. Dado que o fotógrafo Gerard Giaume tentou explorar a submissão de uma serva ao seu senhor, ao reeditar a fórmula que empregou no estudo fotográfico de Lola Melnick, em dezembro de 2014. Fazendo com que Tatiane Cravinho, a estrela do mês, encarne a mulher que se equipara a um bichinho de estimação. Um animalzinho que é alimentado por meio de uma dieta rica em caviar Almas e champanhe Krug Private Cuvée. E, em troca de um Porsche 918 Spyder, um colar com pingente de diamante vermelho ou um acessório da Louis Vuitton, fica de quatro, balança o rabo e finge de morto.
            Porém, essa prova se faz um fiasco devido à falta de convicção da cuja. Que, sempre que pode, oferta o perfil. E, quando não, veda a vergonha, nas horas mais impróprias.
            Além do que, tem-se a impressão de, ao folhear a publicação, se estar apreciando um catálogo de tetas de silicones.
            Com isso, perdendo os melhores ângulos de uma intrigante vagina. Que, por estar na base de uma cintura fina, parece ser miúda. Do tipo que, na hora da foda, quase fode com a mulher. Já que, no seu recanto, qualquer pau se agiganta.
            E, por fim, o leitor é privado de uma exposição mais explicita da mais nobre parte do corpo dela: a bunda. Que só aparece acidentalmente; preservando os seus mais escusos mistérios.



quarta-feira, 27 de maio de 2015

Coluna SNACK BAR - O Lado B da Humanidade: MEDUSA (Uma Ode Aos Olhos de Maysa)






            MEDUSA
            (Mateus Duarte & Vuldembergue Farias)
           
            Sua mente é uma cidadela
            Ornada pela beleza
            Singela como aquela
            Que se vê na Medusa
            Que trava o tempo
            Congelando o corpo
            E qualquer certeza
           
            Sua virtude / A vaidade
            A verdade que ecoa
            Pois é a deidade
            Que coroa a fantasia
           
            Na carta da Torre
            A sina se lê / A sorte corre
            Àquele que foge / Mas, mesmo longe
            Não se esconde de você / Pois, quer-te ter
           
            Ter-te por quê? / A troco de quê?
            Do sonho de Zorba, o grego?
            Apego cego?
            Um ego sem fim?
           
            Ou seja, o ensejo
            De um sobejo imerso
            No verso do escudo de Minerva
            Onde, observa-se o seu destino




Todavia, há um ditado que afirma o seguinte: "a boa mulher é aquela que perdeu a virgindade e manteve a classe". Contudo, como é possível manter a "classe" se se cultua o axioma que prega que "o aspecto proveitoso da fidelidade é que ela comprova o quão prazerosa é a promiscuidade"?
Simples: criando uma sociedade paralela. Em que a distorção social transforma a fraqueza em virtude.
Assim, um grupo de misses embarcou em uma cruzada contra a real razão de seu fracasso: a competência alheia. E se deparou com o sucesso da incompetência: ou seja, o acaso.

 
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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Coluna SNACK BAR - O Lado B da Humanidade: CINE ARTE POSTO 4: ATÉ A ETERNIDADE




            No início da primavera de 2012, o Cine Arte Posto 4 exibiu “Até a Eternidade”. Uma película francesa que foi lançada em 2010 e é dirigida por Guillaume Canet. E que se caracteriza por seu ritmo. Já que, embora tenha quase três horas de duração, ela não entedia seu espectador. Pois, a cada cinco minutos, ela é pontuada por um evento.
            Todavia, o enredo da trama nasce de um aspecto fundamental do design social vigente. Um aspecto fortalecido pela fragilidade dos valores que servem de estrutura para a “Família Nuclear”. Ou seja, a lealdade. Que faz com que, por um instinto de sobrevivência, o indivíduo se junte a um bando maior. Aglutinando-se em grupos de amigos, numa forma de reeditar a “Família Patriarcal”.
            Algo que é incentivado pela “Comunidade Gregária Mor” – o “Estado”. Que, com suas leis, detona a privacidade daquele que está dentro de suas fronteiras e o coage a preservar a própria existência ao obrigá-lo a executar uma simples tarefa: pagar impostos.
            Tudo, pois a família se perpetua através do sangue. O qual vem sendo diluído desde o advento da Família Nuclear. Em um fenômeno que pode ser medido por meio da desvalorização do sobrenome. Enquanto as amizades se perdem no momento em que os círculos cognitivos se rompem. Com isso, enfraquecendo o cidadão e transformando-o em um dependente do Estado.
            Um Estado que, assim, assina seu epitáfio. Já que, como um corpo, terá que amputar cada membro doente ou apodrecerá, até não suportar o próprio cheiro.









Todavia, há um ditado que afirma o seguinte: "a boa mulher é aquela que perdeu a virgindade e manteve a classe". Contudo, como é possível manter a "classe" se se cultua o axioma que prega que "o aspecto proveitoso da fidelidade é que ela comprova o quão prazerosa é a promiscuidade"? 
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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Coluna SNACK BAR - O Lado B da Humanidade: MEIO MANCO (Nos Barrancos de Barretos)





            MEIO MANCO
            (Mateus Duarte & Ciro Carvalho)
           
            Inda sinto o gosto
            De sal e tequila
            Que me roçou o rosto
            Numa longa fila
            De beijos frisantes
            E oferta de couro
            Uns minutos antes
            Deu trepar no touro
           
            Não fujo do tranco
            Encaro essa bronca
            Saio meio manco
            E não perco a panca
           
            Eu me atraco ao touro
            Numa eterna briga
            Que acaba em suadouro
            E quase periga
            Deu quebrar o bicho
            Pois treino na cama
            Com gana e capricho
            Sobre uma árdua dama
           
            Não fujo do tranco
            Encaro essa bronca
            Saio meio manco
            E não perco a panca
           
            Eu me agarro à fama
            Quando, então, me acena
            A fã que se inflama
            Enquanto, na arena
            Pelo olhar do touro
            Sei que com pujança
            Aguarda o vindouro
            Dia de sua vingança
           
            Não fujo do tranco
            Encaro essa bronca
            Saio meio manco
            E não perco a panca






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CUCARACHA'S BURGER - PARTE 002

CUESTA VERDE / Jornalismo de Verdade 04 de março de 2023