INT – IGREJA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA, EM
SANTOS – DIA
FADE IN
Soam os acordes iniciais da Marcha
Nupcial, de Felix Mendelssohn.
Pelos vitrais da igreja a luz do dia
entra. E se soma à iluminação interna. Refletindo nos ornatos de prata, que dão
brilho aos fraques negros dos homens que ali estão. Também incidindo nas
pedrarias das mulheres, que se cobrem com vestidos perolados.
Aos poucos, a música se estingue.
Enquanto os presentes vão sendo
desfocados, à medida que a NOIVA, o NOIVO e o PADRE são destacados. Sendo que a
NOIVA, com um sorriso caricatural e um olhar lascivo, olha ora para o NOIVO e
ora para o PADRE.
PADRE
Você
aceita este homem? Seja na saúde ou
na doença? Na
potência ou na impotência?
E mesmo diante de uma minissaia?
Quando a atenção de todos, com exceção
da NOIVA, que queima de ódio, ao observar o NOIVO, em concordância com o PADRE,
se voltam para a MADRINHA. Que, com a inocência de quem pensa que a genitália
só serve para as atividades fisiológicas, exibe as tatuagens que lhe adornam a
coxa, ao usar uma pornográfica minissaia da US TOP.
FADE OUT
FADE IN
Letreiro: Minissaia
NARRAÇÃO
Minissaia.
Logomarca da US TOP
NARRAÇÃO
US
TOP
Letreiro: Porque eles merecem.
NARRAÇÃO
Porque
eles merecem.
Todavia, há um ditado que afirma o seguinte: "a boa mulher é aquela que perdeu a virgindade e manteve a classe". Contudo, como é possível manter a "classe" se se cultua o axioma que prega que "o aspecto proveitoso da fidelidade é que ela comprova o quão prazerosa é a promiscuidade"?
Simples: criando uma sociedade paralela. Em que a distorção social transforma a fraqueza em virtude.
Assim, um grupo de misses embarcou em uma cruzada contra a real razão de seu fracasso: a competência alheia. E se deparou com o sucesso da incompetência: ou seja, o acaso.
A Quadrilha das Misses Assassinas*
(*caso ainda não tenha esta obra na sua banca, click aqui, com o fim de obter desconto, ao arrematar um lote, e aumente a sua margem de lucro)
Na
manhã de 22 de agosto, o sol devolvia para a atmosfera o orvalho que a noite
deixou. Umedecendo, neste trajeto, as frágeis narinas da senhora Cacilda
D’acapulco. Uma tímida anciã que, aos 71 anos, saiu de casa para cultuar a
morte do filho.
Assim,
dando vazão às suas raízes mexicanas em um rito racionalizado em três etapas:
A
– No fato de se tratar de um dia dedicado a Nossa Senhora Rainha.
B
– Porque, quando em vida, obviamente, o cidadão se tornara um sectário da
doutrina evangélica e, numa contestável demonstração de fé, esmigalhou uma
imagem da Santa, que Dona Cacilda conservava em um misto de altar com estante,
na edícula de sua residência.
C
– E, porque, segundo ela, ele teve um fim não tão díspar, ao ser atropelado por
um ônibus, na Avenida Tico Terpins.
Assim,
de ano em ano, no aniversário do seu falecimento, ela vai ao Cemitério
Municipal de Arcádia Paulista com um caquinho da escultura em mão e o deposita
sobre o jazigo do filho. A fim de que ele restaure a estátua e se redima da
falta cometida.
Como
de costume, a decrépita Dona Cacilda alcançou a sepultura de Cantinflas
D’acapulco – que, se vivo, teria 33 anos –, sacou da bolsa a escova e limpou-a
dos resíduos do tempo. Ficando feliz por não ter encontrado o décimo segundo
fragmento que lá deixara. Pois sabia que, daqui a vinte e nove anos, no reino
dos céus recebido ele seria. E, por isso, a nova lasca lá largou. Juntou as
mãos e orou; pedindo para que La Santa – uma entidade mexicana –, junto a Nossa
Senhora Rainha, intercedesse em favor do morto. Depois, chorou, tirou os
grossos óculos, limpou-se das lágrimas e os colocou de volta. Então, em tom de
súplica, olhou para a grande cruz, que, numa alusão ao Monte das Oliveiras,
ficava sobre o jazigo, e quase teve um enfarte.
Dado
que calçada à mesma havia uma cabeça.
E,
enquanto a senhorinha era acudida por uma adolescente, que tinha ido até lá
para testar a câmera lambe-lambe que herdara do avô, o zelador chamou a
polícia.
Que,
sob o comando do Delegado Antônio das Flores (o popular Totonho Três Oitão),
optou por, inicialmente, recompor o corpo.
Retirando,
para isso, a cabeça da cruz.
Uma
cabeça de mulher e que não continha uma só gota de sangue. E que, embora
tivesse ferimentos estranhos na região do pescoço, fora decapitada com algum
instrumento cortante.
Além
de ter a boca abarrotada de dentes de alho.
Quando
ao corpo, este foi encontrado sobre outro túmulo.
Nu,
petrificado – em função de uma rigidez cadavérica – e, também, sem um rastro de
sangue. E, como se fora o de uma pin-up macabra, disposto de modo em que ficava
sentado, com uma perna cruzada sobre a outra e as mãos, graciosamente,
colocadas sobre o joelho.
Sem
falar da estaca que lhe atravessava o peito.
Uma
estaca que, como se apurou, era um símbolo da presença de espírito do agressor.
Já que, como um percevejo, a mantinha em tal posição, ao ter a sua ponta
afixada em uma falha da cabeceira da sepultura.
Porém,
não foi só um pau que a atravessou. Pois, devido às marcas que ela tinha pelo
corpo, se deduziu que estuprada fora.
Todavia,
a vítima se chamava Beatriz Peterson e tinha 23 anos. E foi identificada,
inicialmente, como sendo B. P., de 16 anos. Que é a sua irmã caçula. A qual, na
véspera, saíra para ir a um evento em memória de Raul Seixas, na Praça Francis
Bacon, e não regressou a tempo de evitar que sua mãe notificasse seu sumiço à
polícia.
Do
alto dos seus 49 anos, Bárbara Peterson disse que jamais esperou encontrar sua
filha mais velha na mesa do legista. Pois sempre acreditou que ela tivesse a
cabeça no lugar.
Contudo,
voltando ao tempo do crime: embora o vigia noturno negue tê-la visto ou ouvido
algo que não fosse o silêncio, a câmera de segurança de uma floricultura a
captou, através das grades que protegiam sua porta de vidro, falando sozinha,
por minutos, e, posteriormente, se dirigindo em direção ao seu destino.
Ao
que tudo indica, ela invadiu o local, por algum ponto ainda desconhecido, e foi
atacada por um maníaco.
O
que deixou algumas questões em aberto:
A
– Se existe algum assassino que atua em parques fúnebres, e coexistem mulheres
que perambulam pelo mesmo território, o que fazer para que tanto o cemitério de
Arcádia como os de toda região do Vale do Ribeira não constem em algum guia
turístico de crimes estranhos?
B
– Se acontecia um evento com potencial para atrair turistas e, embora em acordo
com as bizarrices que se aglutinam nos anais da polícia, o crime seja inédito,
ele não seria obra de um forasteiro?
C
– Se todo caçador tem um amor (ou o que o valha) pela caça, e a mesma deva
corresponder a essa expectativa, Beatriz Peterson teria sido um alvo padrão?
D
– Se o cemitério é um espaço sagrado, e o crime é uma afronta ao que é sacro,
dentro da cultura cristã, poderia não se tratar de um delito e, sim, de um ato
sacrifical pagão?
E
– Se se trata da obra de um narcisista, e a mídia é o seu espelho, por que a
polícia não se alia à imprensa nesta empresa?
Até
o fechamento desta edição, as autoridades competentes não deram resposta.
Vampyres - As Filhas de Drácula
Um filme de José Ramón Larraz
(Inglaterra / 1974)
Todavia, há um ditado que afirma o seguinte: "a boa mulher é aquela que perdeu a virgindade e manteve a classe". Contudo, como é possível manter a "classe" se se cultua o axioma que prega que "o aspecto proveitoso da fidelidade é que ela comprova o quão prazerosa é a promiscuidade"? Simples: criando uma sociedade paralela. Em que a distorção social transforma a fraqueza em virtude. Assim, um grupo de misses embarcou em uma cruzada contra a real razão de seu fracasso: a competência alheia. E se deparou com o sucesso da incompetência: ou seja, o acaso.
A Quadrilha das Misses Assassinas*
(*caso ainda não tenha esta obra na sua banca, click aqui, com o fim de obter desconto, ao arrematar um lote, e aumente a sua margem de lucro)
“É
plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter
paramilitar”, diz o inciso XVII, do Artigo 5º, da Constituição Brasileira.
Assim,
classificando a ação de criminosos, em território nacional, como o exercício de
um poder paralelo e validando uma das orientações do Manual de Vigilância de
Bairro, da Associação Nacional de Xerifes. Que estabelece, como primeiro pilar,
a união de pessoas que compartilhem de um mesmo entusiasmo.
Ou
seja, que entendem que liberdade e segurança jamais caminham juntas.
E,
assim, se crie, no limite de ambas, uma sintonia. A fim de que a coisa não
descambe para uma espécie de “assembleia de condomínio”. Onde se discute, briga
e quase não se sai do zero.
Para
que, então, se parta para a sua edificação.
Inicialmente,
fortalecendo a moral dos participantes, com o advento de um QG. Um ponto de
convergência. Que pode ser em uma garagem, um salão emprestado e por aí vai.
Contanto que esteja equipado com um cavalete com quadro branco, pincéis nas
cores azul e vermelha e um apagador. Mais um quadro de aviso de cortiça, fixado
à parede, com um mapa do bairro e a foto de algum bandido que esteja
aporrinhando a vizinhança.
Consequentemente,
não se atendo a nomes ou símbolos que discriminem o grupo. Afinal, o ideal é
que as pessoas se comprometam com a causa; e não, com um duelo de egos.
É
sabido que desde a promulgação da Constituição Brasileira, em 1988, o crime se
tornou uma atividade quase legal.
E,
por isso, em todo litoral, o negócio descambou, a ponto de que tenha gente que,
numa espécie de “Síndrome de Estocolmo”, veja graça em seus artífices.
Porém,
o jogo pode ser virado. Dado que o artigo 25 do Código Penal Brasileiro reza
que: “Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios
necessários, repeli injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem”. Viabilizando o que, nos Estados Unidos, em 1972, pela Associação
Nacional de Xerifes foi oficializado sob a alcunha de “Programa Nacional de
Vigilância de Bairro”. Que consiste em transformar cada rua de uma determinada
localidade em uma cidadela.
Sempre
se levando em conta que os norte-americanos já enviaram o homem à Lua e os
brasileiros não conseguem projetar uma ciclovia que preste.
E,
assim, adaptá-lo, a partir do princípio de que deve ser executado por quem tem
tempo de sobra. Depois, definindo as suas funções. Como a de “Coordenador de
Bairro”. Que é quem zelará pela ordem; fazendo diligências e se sociabilizando
com a vizinhança. E, em seguida, a de “Capitão de Rua”. O qual fechará o elo
entre o cidadão e a polícia, sempre que algo sair do eixo. Para, então, se
elaborar a cadeia de contatos. Que será do Coordenador com os moradores, deles,
com o Capitão, do dito, com a autoridade competente e o Coordenador e, deste,
com a mídia. Afinal, sempre é bom espalhar a notícia de que um ladrão está indo
em “cana”.
Todavia, há um ditado que afirma o seguinte: "a boa mulher é aquela que perdeu a virgindade e manteve a classe". Contudo, como é possível manter a "classe" se se cultua o axioma que prega que "o aspecto proveitoso da fidelidade é que ela comprova o quão prazerosa é a promiscuidade"? Simples: criando uma sociedade paralela. Em que a distorção social transforma a fraqueza em virtude.
Assim, um grupo de misses embarcou em uma cruzada contra a real razão de seu fracasso: a competência alheia. E se deparou com o sucesso da incompetência: ou seja, o acaso.
A Quadrilha das Misses Assassinas*
(*caso ainda não tenha esta obra na sua banca, click aqui, com o fim de obter desconto, ao arrematar um lote, e aumente a sua margem de lucro)
Durante a primavera de 2012, o Cine
Arte Posto 4 exibiu “A Primeira Coisa Bela”. Um filme italiano que foi lançado
em 2011 e é dirigido por Paolo Virzì. E é um dos raros filmes que faz o
espectador esquecer de que está em uma sala de cinema. Pois ele é,
tecnicamente, perfeito.
Todavia, a trama irradia a ideia de
que a vida pode ser uma manifestação artística. Dependendo apenas de como é
imaginada e da habilidade com que é gerida.
Contudo, calcada pelo entendimento
de que as ações esporádicas entregam o destino ao acaso. Assim, desperdiçando
tempo e energia. E o pior, dando sustentação ao argumento dos néscios; do tipo:
“O futuro a Deus pertence”.
Mas quem é Deus, senão o homem?
Entretanto, isso requer um
pensamento econômico. Pois o minimalismo é a chave para outra realidade. Tanto
que Sun Tzu diz: “O essencial na guerra é a vitória e não, as operações
prolongadas”.
Com o adendo de que, a priori, a
repetição de uma ação gera um padrão e, a posteriori, denuncia uma estagnação.
Ademais, a criação de um estilo de
vida é viável. Já que é bom estar em um patamar em que os desejos se
materializam. Porém, sua manutenção leva a uma ausência de vida. A um estágio
em que se é congelado pelas próprias convicções.
Por isso, toda ação deve ser
encarada como um rito de iniciação. Em que se morre para uma vida defasada e
renasce para uma existência, quiçá, otimizada.
Todavia, há um ditado que afirma o seguinte: "a boa mulher é aquela que perdeu a virgindade e manteve a classe". Contudo, como é possível manter a "classe" se se cultua o axioma que prega que "o aspecto proveitoso da fidelidade é que ela comprova o quão prazerosa é a promiscuidade"? Simples: criando uma sociedade paralela. Em que a distorção social transforma a fraqueza em virtude.
Assim, um grupo de misses embarcou em uma cruzada contra a real razão de seu fracasso: a competência alheia. E se deparou com o sucesso da incompetência: ou seja, o acaso.