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CUESTA VERDE / Jornalismo de Verdade




quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

RETRÔ GIRL (O Ensaio de Marcela Pignatari para a Playboy)

            “Quão belos se tornaram os seus passos, em suas sandálias, oh bem nascida! As curvaturas de suas coxas são como ornamentos esculpidos pelas mãos dum artesão. Seu umbigo é uma taça redonda. Que não lhe falte o mais perfumado vinho. Seu ventre é um monte de trigo, cercado de lírios. Seus peitos são como as crias gêmeas duma gazela.” – são alguns dos versículos que constam no “Cântico dos Cânticos”, de autoria do Rei Salomão.
            Uma peça que tinha o propósito de, como um auto pré-nupcial, instruir os nubentes quanto à necessidade do homem de usar a mulher como mulher. E a qual, por mais que apreciasse o cheiro de um “velcro”, a facilitar as coisas.
            Tudo, porque as comunidades do período pré-cristão – vulgo: pagão – entendiam que o sexo era uma dádiva divina. E, por tanto, um ato litúrgico.
            Uma ação que, na era cristã, passou a ser coibido por meio da monogamia.
            Moldando a sociedade de um modo nefasto.
            Posto que, como um código moral artificial, ela, no fim, restringia a religiosidade masculina.
            Porém, por meio da sua capacidade de se adaptar às adversidades, o homem descobriu que a “canastrice” é o contraponto da “caretice”.
            Elegendo o litoral como local ideal para comprovar sua tese.
            Pois é o lugar onde, em geral, toda mulher fica quase (quando não) nua. Com o fim de se exibir, sem ser taxada de vadia. Já que ninguém aprecia uma mulher vulgar. E também porque é o local em que a cuja que, em outra circunstância, seria sua eventual censora, tem a oportunidade de se tornar uma concorrente.
            Tudo que propicia ao homem (dentro de uma metáfora futebolística) a chance para, tal qual um técnico, escalar as reservas e a titular. Colocando-as na posição que melhor lhe convier.
            O que serviu de mote para a edição de Nº 474 da Playboy de novembro de 2014. Que foi conduzida por Angelo Pastorello – que, na publicação de julho de 2010, foi o responsável pelas fotos de Mônica Apor. E que, dessa vez, deu uma roupagem “vintage” à obra, ao levar Marcela Pignatari, a estrela do mês, para as areias escaldantes da praia de Maresias, em São Sebastião, em São Paulo. A praia que tomou o lugar do Guarujá. Pois é o local em que a elite paulistana – ou seja, o pessoal que carrega do Brasil nas costas – costuma curtir suas férias de verão.
            Onde, à sombra de uma Kombi “de blusa branca e saia amarela”, ela incorpora a “farofeira pós-moderna”. Ou a mulher que, hoje, está ao alcance da pica do cidadão comum. Já que seu corpo se encaixa no padrão “inacessível” de beleza dos anos 1970 e 1980. Em que pesava a fragilidade orgânica. Contrastando com os códigos contemporâneos – que fazem a beleza deixar de ter a passividade de uma armadilha para se tornar uma arma.
            Contudo, essa galega carrega nos peitos um elo com os anos 2000. Pois, por serem lapidados em laboratório, se assemelham a um par de ovos fritos.
            Somando-se uma bunda que teria vaga nos anos 1990. Dado que é comunicativa. Do tipo que diz: “Chega com calma. Mas vem!” Porém, sem se expor ao ridículo. Já que, com sua lábia, ela dissuadi qualquer desvalido da ideia de que “o tamanho da ‘vara’ é indiferente à ‘magia’ que ela pode proporcionar”.
            Enquanto a vagina destoa dos anos 2010, pelo fato de não ser careca. Não que seja cabeluda a ponto de servir de tema para uma caneta floaty. Mas remete à memória a imagem de um ramo de trigo. Cuja haste nasce da ilusão de óptica proveniente da sombra criada pela junção das ninfas.



segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Coluna SNACK BAR - O Lado B da Humanidade: A LOIRA DA LOJINHA (Ou o Samba do Voyeur)






            A LOIRA DA LOJINHA

            (Ciro Carvalho & Mateus Duarte)

           

            De muamba ela manja
            E de guria se veste
            Sempre requenta a canja
            E entorna a caipirinha
            Com lasca de laranja
            Mexendo a cinturinha
            Como o “malaco” gosta
            A loira da lojinha
           
            Ela adora o xaveco
            Dum marmanjo casado
            Mas para no boteco
            E então dorme sozinha
            Pois quer os pandarecos
            De virar a rainha
            D’algum craque da bola
            A loira da lojinha
           
            Ela abusa da sorte
            E diz tudo o que pensa
            Apenas por esporte
            Tendo na ladainha
            Uma marcante e forte
            Fala de “manezinha”
            Mais um imundo xingo
            A loira da lojinha
           
            Ela cuida do corpo
            Em praia de nudismo
            Pois não quer ser o porto
            De nenhuma marquinha
            Que tenha a cor dum morto
            Ao ficar sem calcinha
            De frente para o espelho
            A loira da lojinha






Todavia, há um ditado que afirma o seguinte: "a boa mulher é aquela que perdeu a virgindade e manteve a classe". Contudo, como é possível manter a "classe" se se cultua o axioma que prega que "o aspecto proveitoso da fidelidade é que ela comprova o quão prazerosa é a promiscuidade"?
Simples: criando uma sociedade paralela. Em que a distorção social transforma a fraqueza em virtude.
Assim, um grupo de misses embarcou em uma cruzada contra a real razão de seu fracasso: a competência alheia. E se deparou com o sucesso da incompetência: ou seja, o acaso.

 
A Quadrilha das Misses Assassinas*
(*disponível nas melhores bancas e livrarias)

http://www.clubedeautores.com.br/book/124263--A_Quadrilha_das_Misses_Assassinas


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Coluna SNACK BAR - O Lado B da Humanidade: BUNDA (A Verdade de um Povo)




            Como um legítimo país cristão, “extraoficialmente”, o Brasil inicia o seu ano após o carnaval. O qual ele comemora como uma legítima pátria pagã.
            Todavia, o termo francês “carnaval” é uma variação da palavra italiana “carnevale”. Que surgiu da expressão latina “carnem levare”. E significa “adeus à carne”. Visto que é referente à época que antecede a Quaresma.
            “Quaresma” que é fruto do numeral latino “quadragésimo”. E quantifica os dias em que o cristão fundamentalista não come carne. Numa alusão ao trecho da fábula de Cristo que está em Mateus 4:1-2 e diz: “Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo demônio. Jejuou por quarenta dias e quarenta noites”.
            Com a transmutação do paganismo em cristianismo, a partir do Concílio de Nicéia, algumas lacunas ficaram abertas. Entre elas: o Lupercal. Uma festa que era realizada em Roma, na data que, hoje, equivaleria ao dia 15 de fevereiro; em homenagem a Luperco – um dos nomes de Pã. E que, por aproximação de datas, foi grudada na Quaresma e virou o carnaval.
            Carnaval que chegou ao Brasil, pelas mãos dos portugueses, por volta do século XVII, com o nome de “entrudo”. Sendo que “entrudo” vem da palavra latina “intróitus” e quer dizer “entrada” – entrada na Quaresma. Que, com o tempo, adquiriu uma estrutura própria. Primeiro: porque o Brasil é um país tropical. Em segundo: pelo fato de que o carnaval ocorre em pleno verão. Tudo o que contribui para que as pessoas usem poucas roupas. Expondo muita carne. Principalmente, a “mulher”. Que, à flor da pele, sente a “chama” dos antigos rituais. Quando os seus antepassados dançavam desnudos ao redor de Stonehenge. E assim, calcada na verve orgástica do paganismo, usa o carnaval como pretexto para mostrar a bunda.
            Mas e na praia?
            Na praia, não vale. Visto que uma praia que não tem bunda não é praia. Ou alguém ficaria bebendo cerveja quente, sob um Sol de rachar, em troca de nada?
            Todavia, a bunda é um símbolo de status na cultura tupiniquim. Sim, pois o Brasil é uma nação que não tem, e não procura ter, uma altossuficiência tecnológica. E, por isso, condiciona a sua população ao método de sobrevivência mais primitivo que se conhece. Que qualquer animal utiliza. A “reprodução”. Por meio da qual, quanto mais gente nascer, mais chances a espécie terá de se perpetuar. Não tanto por uma questão evolutiva. Mas porque, por mais gente que morra, sempre sobrará alguém. Como ocorre com as baratas.
            Bem, o Departamento de Epidemiologia e Estudos Populacionais da Universidade de Jagiellonian, de Cracóvia, na Polônia, em 2004, apresentou uma pesquisa que desmistificou a bunda. Provando que ela é um eficiente veículo de comunicação. Já que explicou os motivos evolutivos que levaram a natureza a moldar o corpo feminino de um modo que ele fique atraente. Como uma propaganda lúdica. Avisando, visualmente, aos genes masculinos que uma determinada mulher tem potencial para ser uma boa reprodutora. Posto que, nesse estudo, foi detectado o fato de que uma mulher que tem os seios fartos, a cintura fina e, um consequente, quadril largo possui um nível elevado de hormônio E2. O que a faz três vezes mais propensa a engravidar do que outra, dotada doutras características.
            Sem mais, a palavra “bunda” vem do termo quimbundo “mbunda” e significa “nádegas”. E, segundo o livro Casa-Grande e Senzala, de Gilberto Freire, adentrou, com outros vocábulos, ao vocabulário local por meio da convivência entre as mucamas e os filhos de seus “senhores”, durante a era da escravidão.
            Doravante, a bunda tem um papel sem precedentes na criação da cultura brasileira. Tanto que ela influenciou o desenvolvimento do machismo nacional. Quando os frequentadores de boteco repararam que ela era o escudo da mulher feia. Pois a dita se escondia atrás (ou à frente) dela, a fim de garantir um afago. Gerando, assim, o dito: “Essa é a famosa Raimunda. Feia de cara e boa de bunda”.
            Mas não está se subestimando a inteligência da maioria dos brasileiros?
            Não se pode subestimar o que não existe.
            No ano de 2007, na decisão do concurso de Miss Universo, a Miss Brasil Natália Guimarães foi derrotada pela Miss nipônica Riyo Mori. Riyo Mori que, embora bela, era menos bela do que a brasileira. O que gerou uma revolta. Com alegações de que o concurso fora “roubado” e coisa e tal.
            Todavia, nunca se viu tal indignação contra o fato de que um brasileiro nunca conquistou um Prêmio Nobel (seja em literatura, física ou em qualquer outra categoria que houver).
            Não que um avanço intelectual irá relegar a bunda a um segundo plano. Entretanto, como, tão cedo, uma melhoria nesse sentido não estará em primeiro plano, por que não priorizar a prioridade nacional? Com isso, fazendo com que o Brasil assuma a sua condição de polo produtor e exportador de bunda. Levando os glúteos a sério. Sim, profissionalmente. Para tal, investindo na busca de uma bunda perfeita.
            Como?
            Primeiro: seguindo o exemplo do socialismo chinês. E estabelecendo uma pena de trezentas chibatadas para quem infringir a lei. No caso, seria uma medida provisória que proibiria a mulher com “pouca bunda” de engravidar. Com o adendo de que dentro do conceito de “glúteo econômico” também se engloba a mulher que não tem seios fartos e cintura fina. Já que a ideia é criar uma raça que siga o arquétipo da mulher ideal. Evitando que, devido a um errôneo entendimento, se dê vazão a avacalhação. Afinal, se quer produzir beldades. E não, aberrações. Contudo, com cuidado. Para que isso não se torne um desvario machista. O que se conseguiria ao estender a punição, só que com seiscentas lapadas, ao infeliz que, de sacanagem, emprenhar a cuja. Sob a alegação de traição. Ora que, em virtude do seu mau gosto, ele sabotou um projeto da nação.
            Em segundo: prestigiando a mulher “próspera de bunda”. Dando-lhe uma isenção de impostos por cada menina que parir. Com a ressalva de que, se a partir dos quinze anos ficar claro que a garota herdou o design materno, a isenção será mantida.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

PAIZÃO (O Ensaio da Mendigata para a Playboy)

            No episódio de Nº 15 da 6ª temporada da série “House M.D.”, de 2010, intitulada de “Buraco Negro”, cuja condução ficou ao encargo de Greg Yaitanes, o Doutor House – imortalizado por Hugh Laurie – descobriu que Abby Nash – vivida Cali Fredrichs – contraiu uma moléstia de Artie – interpretado por Dennis Boutsikaris –, em decorrência de um intercurso sexual. O que, todavia, não passaria de um acidente, caso não fosse ele o pai de Nick – “defendido” por Nick Eversman –, o namorado da dita. Criando um novo imbróglio. Posto que o cujo não assimilou a explicação de seu “velho”; de que ele quis confortá-la em um momento de fraqueza.
            Uma situação que não teria se consumado se, dentro de uma cadeia educativa que se rompeu (devido a um culto pejorativo da masculinidade), esse pai pudesse ter passado para o filho (por meio da ação; e não, da decepção) o conhecimento que não recebeu. De que toda mulher que estabelece um cisma entre sexo e amor é uma hipócrita. Já que, em geral, esse tipo de fêmea vive bradando que “ninguém quer nada sério”. Quando, “por baixo do pano”, deseja uma “coisa gozada”.
            Ou que, na mais otimista perspectiva, quer um “relacionamento para viagem”. Que se desenvolve sobre a seguinte lógica: se não “comeu” tudo, pois tem olho maior do que a barriga (ou do que a pica), que leve para casa. Só que, ao invés de guardá-la na geladeira, como se faz com todo bom prato, a encosta no sofá; assistindo novela e engordando.
            Ademais, nesse regaste dos bons costumes, caberia ao genitor a tarefa de se tornar o “melhor pai do mundo”, ao também conduzir seu rebento para o fim da virgindade. De preferência, antes que o sonho do cujo se torne um pesadelo. Arranjando-lhe uma mulher que sintetize os elementos que lhe remetam à infância – mexendo com sua memória afetiva –, possua características que o situe na adolescência – assim, munindo-lhe de uma superioridade moral que lhe alçará à liderança dos seus convivas e à admiração das fêmeas de sua geração – e mais uns detalhes que o farão ter um discernimento entre a “bisteca” e a “biscate” – tornando-o criterioso em relação à mulher que emprenhará.
            Logo, na edição de Nº 473 da Playboy de outubro de 2014 há um exemplo do tipo de produto que todo pai deveria ofertar ao filho.
            Primeiro, porque, por ser uma das atrações de cunho libertino do programa “Pânico na Band”, da Rede Bandeirantes, Mendigata, a estrela do mês, é a vedete principal do cabaré imaginário que existe na cuca de qualquer adolescente.
            Em segundo, porque o fotógrafo Christian Gaul – o responsável pelo ensaio de Aline Franzoi, em setembro de 2013 – faz um paralelo entre a cuja e a Mulher-Gato. Que todo guri reconhece como a paixão mal resolvida do Batman.
            E, em terceiro, pelo fato de que a cuja, cujo nome é Fernanda Lacerda – que dividiu com Veridiana Freitas e Aricia Silva as páginas principais da publicação de janeiro de 2014 –, agora, foi explorada com todas as fotos a que o leitor tem direito.
            Sendo que, dentro do contexto, se destaca a foto inaugural: uma imagem, em P&B, em que, com uma carapuça que imita as orelhas de um felino, ela exibe suas turbinadas tetas. As quais alimentariam o calouro de prazer. Tal qual o mesmo, ao se nutrir de leite, proporcionou à própria genitora.
            Depois, há a foto em que ela está com um chapéu de toureiro e cinta-liga e mostra uma vagina ambígua. Que, por cima, lembra uma flor negra. Visto que o parco pixaim que a cobre é sondado pela tatuagem de uma abelha. Enquanto, por baixo, parece “mostrar a língua”. Num escárnio à macheza do novato. Pois o dito se verá desafiado a golpeá-la com o “pau”.
            Por fim, há a cena final. Em que Fernanda mostra o que tem de melhor: uma bunda bacana. Que despertaria a maldade do “mais inocente”, ao fazê-lo ter uma noção do quão polivalente um rabo pode ser.



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Da Série "Sonetos Para a Juventude": GUARDA-CHUVA AVERMELHADO

            Sob o sereno frio da madrugada
            As luzes orientais da Liberdade
            Aos poucos, libertaram da maldade
            Uma moça bonita e bem tratada

            Que com um guarda-chuva avermelhado
            Protegia a cabeleira lisa e negra
            E uma nudez, que não conhecia regra
            Do azar que existe em cada mal olhado

            E toda a sua nipônica brancura
            Então, enrubesci, com os meus olhos
            Que estavam marejados de loucura

            Mas a cuja fugiu para algum plano
            Distante da ilusão que me azucrina
            Com seu desfecho trágico e profano

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

KONNICHUWA (O Ensaio de Natalia Inoue para a Playboy)

            O fascínio que a mulher asiática exerce sobre o homem caucasiano é algo que transcende as incompatibilidades genitais que estreitam a relação entre ambos. Assim, gerando inúmeras tragédias românticas. Das quais, se destaca o caso de “John & Yoko”. Em que, em meio à vida do cujo, a cuja caiu de supetão. E se firmou com a graça de um espantalho. Fazendo jus à sarcástica hipérbole ao, com sua presença, demarcar seu território; reduzindo a sociabilidade de Lennon e, consequentemente, o tirando do convívio com os demais Beatles.
            Todavia, essa atração por mulheres de olhos puxados valoriza, na fantasia do público masculino, o pôster em que Natalia Inoue está postada sobre uma mesa que, dentro do contexto da imagem, se supõe estar em um izakaya. Exibindo sua fisionomia serena, seus seios grandes e impávidos e a calcinha arriada. Numa afronta à virilidade do macho ocidental. Dado que a sua pelada e suculenta vagina é capaz de fazer o mais criativo gozar pelo intelecto.
            À memória auditiva remetendo a canção “Starfucker”, de autoria de Mick Jagger e Keith Richards, que os Rolling Stones lançaram no álbum “Goats Head Soup”, em 1973. Que pode ser traduzida como “Estrela Fodedora” ou, com o advento de um neologismo, como “Estrela ‘Fodente’”. E que de cujos versos são extraídos a seguinte interpretação: “Sim, descem o pau nas suas fotos / O que me é bastante injusto / Pois, você fez belos truques com uma fruta / E ainda manteve a ‘chana’ em ordem”.
            Uma conclusão que é alcançada através das páginas da edição de Nº 472 da Playboy de setembro de 2014. Saída do olhar do fotógrafo Fred Othero. Que tem em seu portfólio a publicação de julho de 2014. A qual teve Vanessa Mesquita como a estrela do mês.
            Todavia, começando pela Rua da Glória, no bairro da Liberdade, em São Paulo, onde, com as luminárias suzurantõ ao fundo, na varando do restaurante Samurai, sob o charme da sua cabeleira negra e a proteção de um roupão vermelho, que não lhe veda a vergonha, ela interpreta a prostituta que tenta espairecer e se esquecer do expediente, ao se refrescar com o sereno da madrugada, enquanto mascara um “retrogosto” qualquer com o tragar de um cigarro.
            Então, após deixar seu local de trabalho, ela oculta sua identidade sob um guarda-chuva japonês e perambula pelo Viaduto Cidade de Osaka. Onde, em um momento lúdico, ela se volta para a região em que o Sol se faz nascente, oferecendo sua bunda – que é farta e redonda como uma Lua – aos oriundos da Zona Oeste.
            Depois, a bordo de uma limusine, em que é possível ter uma vaga noção das dimensões de suas tetas, ela travessa o que resta da noite. Sem ser consumida pela mesma. Posto que, como um par de “boias”, seus peitos a mantem à tona, em meio à imensidão imaginativa daquele que sonha com uma espanhola.
            Consequentemente, chegando à Chopperia Liberdade – que, anteriormente, foi tida como um izakaya –, onde, com o fim de conter a vulgaridade, se cobre com uma calcinha preta.
            Ademais, como o mais ferrenho recato se faz fugaz, pois, por mais que se preserve o pundonor, ao final, toda intimidade será apreciada pelo legista, Natalia foge da lingerie ao se refugiar na suíte Nagoya, no Harmony Motel. Onde, sobre o palco, que se caracteriza como umas das mais atrativas atrações do aposento, ela exibe sua voluptuosidade nipônica. Que, aliás, é exercitada em outros cantos do quarto.
            E, por fim, no restaurante Hinodê, ela curte o amanhecer e suas nuances, com a anuência do proprietário. O qual, em troca da sua companhia, a deixa desfrutar da sua propensão ao nudismo e da razão da casa. Além de se inteirar das notícias do Japão, com a leitura do São Paulo Shimbun.



sábado, 4 de outubro de 2014

O DESABROCHAR DE UMA DRÍADE (O Ensaio de Jessika Alves para a Playboy)

            Pelo prisma de Riobaldo – o protagonista do romance –, em “O Grande Sertão: Veredas”, que publicado foi em 1956, seu autor, João Guimarães Rosa tramou um trâmite na trama para a trama desfazer de emanações que dão forma à vida de qualquer pessoa.
            Como quando o cujo relata a sua passagem pela Fazenda Santa Catarina.
            “Ela era risonha e descritiva de bonita, mas, hoje em dia, o senhor me entenderá, nem ficava bem conveniente, me dava pejo de muito dizer”, disse o envergonhado diabo, ao se recordar do primeiro contato com Otacília, sua fadada esposa.
            Pois, não há, para marmanjo algum, terreno mais propício ao exercício de sua sapiência do que o couro de uma moça. O qual ele sabe quando cutucar, onde machucar e como curar. Da distância que a separa dos vícios causados pelo tempo, assim, se aproveitando para adestrá-la na arte do prazer.
            Uma arte que é discretamente alardeada na edição de Nº 471 da Playboy de agosto de 2014. Que tem Jessika Alves no posto de estrela do mês.
            Em que, no entanto, há um conflito entre a intérprete e a interpretada. Quando ela vive uma ninfa que não mostra as ninfas. Embora haja a estranha insistência em personalizá-la com fragmentos de transgressão. Mas que só agridem ao bom-senso. Pois não passam de clichês: como o tabagismo e o alcoolismo.
            E assim, sob o olhar da fotógrafa californiana Autumn Sonnichsen, ela exibiu suas partes pudendas nas dependências do Hotel Fazenda Florença, que é situado na cercania da cidade de Conservatória, no Rio de Janeiro.
            Onde, inicialmente, executou algumas atividades ao ar livre.
            Indo de um banho de Sol, sobre uma manta com franjas do “Juventus”, a um banho com água de rosas, no interior de um tacho.
            Sem, contudo, conseguir alcançar o grau elevado de suavidade que o seu papel requer. Do tipo que faz querer levá-la para casa e cobri-la de mimos. Já que seu corpo possui a firmeza de quem sabe que “a vida não é um arco-íris. É a tragédia do cara que, depois de um exaustivo ‘chaveco’, engravidou, por acidente, a filha da vizinha e gerou um rebento retardo, pois não sabia que ela era fruto da canalhice de seu pai”, como, talvez, dissesse o “Treinador” – personagem vivido por Léo Lins no programa “The Noite”, do SBT. O que a deixa como a mulher que se leva para o motel e esquece por lá. Visto que, ao ser inquirida sobre a sua tranquilidade em posar nua, ela responde: “Fui criada com dois irmãos e nunca tive essa coisa de ‘não toca ali, porque ali é peito, e peito é proibido’. Era tudo muito aberto e natural”.
            Como se vê na borboleta tatuada que, abaixo do umbigo, aparenta estar se preparando para pousar sobre a sua vagina. A qual é adocicada por uma réstia – a Carlitos – de pelos.
            Ou no contraste que há entre seu pequeno seio, de bico murcho, e seu olhar lânguido. Típico da mulher que não se acanha ao praticar antropologia na sunga de terceiros.
            Quando, enfim, se chega à sodomia lúdica. Posto que, aos poucos, se entra na bunda dela.
            Começando com a marca de biquíni que, como uma seta, penetra-lhe no rego. Mas que, porém, tem seu trajeto travado pela calcinha de renda que ela arria.
            Todavia, esse núcleo sedutor de circunferências e reentrâncias é exposto em doses homeopáticas. Primeiramente, ao ser coberto com uma meia-calça arrastão e esquentar o selim de um biciclo. E, em seguida, ao ser mostrado sob a sombra de uma sombrinha, de ¾ de perfil e à porta de um Packard Super 8 Touring Sedan de 1938.
            Por fim, Jessika vai para o conforto do casarão da fazenda.
            Onde, como a dona de casa dos sonhos, perambula só de pantufas e penhoar.
            Entretanto, ela carece de se nutrir. E, antes de prato principal, se delicia com um quindim. Quindim que, aliás, foi servido para dois.
            Consequentemente, levando à conclusão de que há uma contradição quando se diz que “o homem come a mulher”. Pois, quando o varão se extravia da reta, no campo gastronômico, fica obeso. Tal qual ocorre com a dita, na seara da safadeza. Que, quando não anda na linha, também fica com o bucho inchado.



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CUCARACHA'S BURGER - PARTE 002

CUESTA VERDE / Jornalismo de Verdade 04 de março de 2023