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CUESTA VERDE / Jornalismo de Verdade




quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Coluna SNACK BAR - O Lado B da Humanidade: TITANIC E A TERRA PLANA




​             De “Os Elementos”, escrito por Euclides de Alexandria, um matemático que viveu no Século III a. C., tirados são os alicerces de toda a geometria moderna. E dos quais surge o postulado de que “a menor distância entre 02 pontos é uma reta”.
​             Ademais, certa vez, Carlos Drummond de Andrade escreveu: “No meio do caminho tinha uma pedra / Tinha uma pedra no meio do caminho / Tinha uma pedra / No meio do caminho tinha uma pedra / Nunca me esquecerei desse acontecimento / Na vida de minhas retinas tão fatigadas”.
​             O que, depois que a Seleção Brasileira de Futebol cruzou com Zinédine Zidane, ganhou uma paródia em que se lia: “No meio do campo tinha um francês / Tinha um francês no meio do campo”.
​             Mas, no caso em questão, não se trata de um burgau mineiro.
​             E sim, de gelo.
​             Não em um copo cheio de caipirinha de Steinhäger.
​             Pois é a munição de outro tipo de “estilingue”.
​             É a ideia que vagueava por trás dos olhos de Joseph Bruce Ismay.





​             Sim, Joseph Bruce Ismay que era o presidente da White Star Line – a “Linha da Estrela Branca” –, cuja razão social era Oceanic Steam Navigation Company – a “Companhia de Navegação a Vapor Oceânica”. Que fora fundada, em 1845, por John Pilkington e Henry Threlfall Wilson. E que, em 1868, foi comprada por Thomas Henry Ismay, o pai de Joseph, após ir à bancarrota.





​             Doravante, em 1899, com a morte do pai, Joseph Ismay tomou o comando da empresa.
​             O Sr Ismay que, em um gesto de negligência, entortou a reta e causou a maior tragédia marítima de todos os tempos.
​             Depois, tentou tirar o dele da reta; ou da curva, em homenagem aos adeptos da Teoria da Terra Bola.
​             Mas para se entender esse feito, há de se voltar para os idos de 1912.
​             Quiçá, um pouco mais.
​             1911.





​             Quando o projeto “Olympic Class” saiu do papel para a água. Já que a White Star Line recebeu do estaleiro da Harland and Wolff sua encomenda: os transatlânticos Gigantic – que, numa tentativa de desassociá-lo do desastre, zarpou, em 1914, com o nome de HMHS Britannic –, o RMC Titanic e o RMS Olympic.





​             Sendo que, em 14 de junho de 1911, sob o comando do Capitão Edward Smith – um cidadão que regressará durante o decorrer desse artigo –, o Olympic saiu do porto de Southampton, na Inglaterra, parou em Cherbourg-Octeville, na França, e em Queenstown (hoje, Cobh), na Irlanda, para pegar mais cargas e passageiros, e, do dia 15 em diante, cruzou o Oceano Atlântico. Chegando ao porto de Nova Iorque, pelo Canal Ambrose, em 21 de junho; em 05 dias, 16 horas e 42 minutos – o recorde da época.





​             Ademais, na quarta-feira, dia 10 do mês de abril de 1912, o Titanic zarpou do porto de Southampton, com a pretensão de alcançar Nova Iorque, na quarta subsequente – dia 17 de abril.
​             Parando em Cherbourg-Octeville e Queenstown, com o mesmo fim de seu predecessor.





​             Todavia, a Naval History and Heritage Command – a “História Naval e Comando de Patrimônio” –, uma agência, ligada à marinha dos Estados Unidos, que tem a função de fiscalizar o perímetro marítimo norte-americano, em seu “Relatório do Hidrógrafo de 1912” diz, na faixa 06, que na “Carta Piloto de abril de 1912, no Boletim Hidrográfico de 10 de abril e nos Memorandos Diários de 10,11, 12 e 13 de abril foram dados vários avisos de que o gelo foi visto nas proximidades das rotas de navios a vapor e, naturalmente, podia se esperar que cruzassem suas linhas”.
​             Linhas?
​             Na quinta-feira, dia 11 do mês de abril de 1912, o “tricô aquático” começou, quando, às 02:20pm, o Titanic saiu do porto de Queenstown, situado a 51º 43’ 00 N, 08º 16’ 00” W, rumo ao porto de Nova Iorque.
​             Então, às 02:36pm, próximo a 51º 33’ 00” N, 08º 32’ 00” W, ocorreu uma ligeira alteração no curso.
​             Doravante, na faixa 11 do Relatório do Hidrógrafo há a menção de que os “navios a vapor transatlânticos, por consentimento mútuo, dado por escrito, seguem um conjunto definido de linhas ao passar de um lado ao outro, do norte da Europa para os Estados Unidos”.





​             Posto que, em 1885, o Tenente Matthew Fontaine Maury, um oficial da marinha norte-americana, criou o The Physical Geography of the Sea – “A Geografia Física do Mar” – que continha as Sailing Directions – as “Direções de Vela” –, em que estipulou as linhas de navegação, a fim de civilizar o tráfego marítimo.





​             Sendo que, na faixa 12 do mesmo relatório, há um ponto de convergência entre o Modelo da Terra Plana e a Teoria da Terra Bola. Que se dá quando diz que com “ligeiras modificações, essas linhas foram aceitas formalmente por todas as companhias de navios a vapor em questão, em novembro de 1898, sendo que a principal alteração que se fez foi em um conjunto de linhas que foram movidas do norte para o sul, em janeiro, e que a mudança do sul para o norte é feita em agosto. E essa mudança de linha tem como objetivo evitar a região de maior perigo de gelo durante a primavera e o início do verão”.





​             Ou seja, o Capitão Smith falhou. Pois ele deveria ter reunido os passageiros, no convés, e dito: “Tenho uma boa notícia para os suicidas: o itinerário foi alterado de Nova Iorque para o Inferno”.



 





​             Sem mais, entre 02 de maio e 03 de julho de 1921, a British Wreck Commissioner – a “Comissão Britânia de Destroços” – compôs um inquérito sobre o ocorrido.





​             No qual, o Sr Rufus Isaacs, o procurador-geral, perquiriu Joseph Bruce Ismay, a testemunha, com a seguinte indagação (e, aqui, se abre uma lacuna para explicar, para quem não sabe, que o cujo sobreviveu ao naufrágio):
​             - Suponho que você esteja familiarizado com o motivo das diferentes linhas marcadas na tabela? – a das Direções de Vela.
​             - Perfeitamente – respondeu a testemunha.
​             - Linhas diferentes para as estações do ano? – insistiu o procurador-geral.
​             - Sim.
​             - E isso é para evitar o gelo, não é?
​             - Não, inteiramente.
​             - Não vou discutir com você sobre o “inteiramente”, mas, de qualquer forma, é um fator importante?
​             - Isto é.
​             - E, por isso, você consegue, eu acho, estou certo, dizer que uma linha é mais ao sul durante um determinado período do ano?
​             - Isso é verdade.
​             Todavia, na sexta, dia 12 do mês de abril de 1912, às 12:00pm, o Titanic se localizava, aproximadamente, a 50º 06’ 00” N, 20º 43’ 00” W.
​             Às 05:36pm, a 49º 45’ 00” N, 23º 38’ 00” W, ele se encontrava.
​             Então, às 05:46pm, ele recebeu uma mensagem do navio La Touraine, que estava a 49º 28’ 00” N, 26º 28’ 00” W, dizendo que a névoa estava densa e que, à noite, cruzara um campo de gelo.





​             Ademais, o SS La Touraine era um navio de passageiros que operava, principalmente, no Atlântico Norte, pela Compagnie Génerale Transatlantique, da França. E que, na data em questão, ia de Havre a Nova Iorque.





​             Doravante, na faixa 07 do Relatório do Hidrógrafo, há o registro de que em “... 12 de abril, o Memorando Diário continha informações de que numerosos icebergs e extensos campos de gelo foram vistos a 41º 58’ 00” N, 50º 20’ 00” W”.
​             No sábado, dia 13 do mês de abril de 1912, ao meio-dia, o Titanic se localizava a 47º 22’ 00” N, 33º 10’ 00” W.
​             Conquanto que no processo alcunhado de “No Caso da Petição da Oceanic Steam Navigation Company, Limited, para a Limitação de sua Responsabilidade como Proprietária do Navio a Vapor Titanic”, do District Courts of the United States, Southern District of New York – o “Tribunal Distrital dos Estados Unidos, Distrito Sul de Nova Iorque” –, de 14 de outubro de 1912, se encontra uma singular declaração de Elizabeth Lines.





​             Elizabeth Lines que, no referido sábado, fora degustar um café na recepção da 01ª Classe e ouviu um pouco do papo entre o Sr Ismay e o Capitão Smith, que foram até lá, com o mesmo fim. Do qual ela “pescou” a seguinte argumentação de Ismay: “Bateremos o Olympic e chegaremos à Nova Iorque na terça”.





​             Logo, ele queria chegar ao destino, no dia 16, tendo como limite o prazo de 05 dias, 16 horas e 42 minutos.
​             Ou seja, motivos para aumentar a velocidade e se valer de uma projeção azimutal equidistante da Terra ele tinha.





​             Então, a 01:38am, do dia 14 do mês abril de 1912, um domingo, o Titanic estava próximo a 45º 00’ 00” N, 40º 00’ 00” W.
​             Às 09:12am, ele recebeu do Caronia a notificação de que icebergs foram vistos a 42º 00’ 00” N, 51º 00’ 00” W.





​             Sendo que o RMS Caronia era um transatlântico da Cunard Line, situada em Southampton, na Inglaterra, e que fazia um trajeto análogo ao do Titanic, indo de Liverpool a Nova Iorque.





​             Quando, às 11:47am, o Noordam enviou ao Titanic a informação de que avistara muito gelo a 42º 24’ 00” N, 49º 20’ 00” W.





​             Todavia, o SS Noordam era um navio da Holland America Line, de Roterdã, na Holanda. E que também fazia o manjado trajeto, com o fim de cumprir uma viagem que ia de Roterdã a Nova Iorque.





​             Ademais, ao meio-dia, o Titanic se encontrava a 43º 02’ 00” N, 44º 31’ 00” W.
​             Quando, à 01:54pm, o Baltic lhe retransmitiu a mensagem que recebera do Athinai. De que, às 08:00am, ele vira icebergs boiando a 41º 51’ 00” N, 40º 52’ 00” W.





​             Ora que o RMS Baltic era um navio de White Star Line, a mesma do Titanic, e que, por coincidência, fazia a mesma rota.





​             E o SS Athinai, que era da Hellenic Transatlantic Steam Navigation Company, da Grécia, ia de Piraeus a Nova Iorque pela mesma via.
​             Enquanto isso, no “Inquérito da Comissão Britânica de Destroços”, ao Sr Ismay o procurador-geral perguntou:
​             - Como você sabia que estava se aproximando da região do gelo?
​             - Pela mensagem do Marconi – o “telégrafo”.
​             - A mensagem do Marconi que você recebeu do Baltic?
​             - Sim.
​             - E você sabia, não é, que estaria na região do gelo em algum momento naquela noite de domingo?
​             - Eu acredito que sim.
​             - Agora, gostaria de entender, quem lhe disse isso?
​             - Acho que recebi a informação do Dr O’Loughlin, que disse que havíamos dobrado a esquina.
​             Todavia, o Doutor William Francis Norman O’Loughlin, cujo sobrenome dirime qualquer dúvida quanto ao fato de ele apreciar ou não uma Guinness, atuara como cirurgião no Olympic e estava lotado no Titanic. E do qual se supõe que não tenha sobrevivido ao naufrágio, pois, seu corpo nunca encontrado foi.





​             Entretanto, o assunto não esfriou.
​             - Não entendo muito bem, o que você quer dizer com o que ele disse a você? – insistiu o procurador-geral.
​             - Ele fez o seguinte comentário, no jantar: “Viramos a esquina”.
​             - Você sabia, suponho, que alteraria o curso, então?
​             - Sim, eu sabia disso.
​             - E você alteraria o curso, eu acho, mais para o norte?
​             - Sim.
​             - E você sabia que isso o deixaria mais perto da região do gelo que foi relatada a você?
​             - Não sei dizer, exatamente, onde estava o gelo. Eu não entendo de latitude e longitude.
​             O que não é uma informação. E sim, uma equação: poder mais canalhice é igual à ignorância.
​             Ademais, se Queenstown se localizava a 51º 43’ 00” N, 08º 16’ 00” W e o Canal Ambrose a 40º 31’ 06” N, 73º 59’ 25” W, qual é a finalidade de se ir pelo norte?
​             Na Terra Plana, vá lá.
​             Agora, na Terra Bola, é só para se navegar entre os icebergs.





​             Contudo, “ubi non est justitia, ibi non potest esse jus” – “onde não existe justiça não pode haver direito”.
​             Se a Terra é redonda e o Titanic ia para o norte, por que é que os números referentes à longitude são decrescentes?
​             Faixas concêntricas?





​             Ademais, às 09:52pm, o Mesaba transmitiu ao Titanic a informação de que muitos icebergs foram avistados a 41º 25’ 00” N, 50º 30’ 00” W.





​             Sendo que o SS Mesaba era um navio da Atlantic Transport Line, de Baltimore, nos Estados Unidos, que, de vez em quando, como à época o fazia, transportava cargas, concorrendo no mesmo circuito.





​             Ou seja, o Titanic foi jogado em uma roleta russa.
​             Roleta russa que apareceu, pela 01ª vez, cunhado no título de um conto que, pelo suíço Georges Surdez, seu autor, foi publicado na Revista Collier’s, em 30 de janeiro de 1937.





​             Em que o personagem Hugo Feldheim, o 03º Sargento de Infantaria da Legião Estrangeira, tem de explicar a morte do Sargento Burkowshi. Um russo viciado em jogos. Que lhe tinha contado de uma pugna que aprendera, em 1917, quando, a serviço do exército russo, estava lotado na Romênia. A qual consistia em tirar um cartucho do tambor de um revolver, girá-lo, fechá-lo, encostá-lo contra a têmpora e puxar o gatilho.
​             Ou seja, 05 contra 01, em chances de rechear a cuca com uma “azeitona de metal”.
​             Tal qual aconteceu com o Titanic, que receberá 05 avisos.
​             O que faz com que não haja uma explicação plausível, que não o formato da Terra, para justificar o fato de que esses navios, praticamente, participavam de uma roleta russa, com o fim de economizar combustível, ao navegarem pelo local que, segundo o U. S. Coast Guard Navigation Center – o “Centro de Navegação de Guarda Costeira dos Estados Unidos” –, é uma das áreas de maior incidência de icebergs do disco terrestre.
​             Com o adendo de que, na faixa 07 do Relatório do Hidrógrafo, se suputa que, “... no dia 14 de abril, o Escritório Hidrográfico recebeu um telegrama transmitido por rádio do Amerika, da Linha Hamburgo-América, através do Titanic...”, que, como um bom mensageiro, só o retransmitiu, “... informando que 02 grandes icebergs estavam a 41º 27’ 00” N, 50º 08’ 00” W”. Que conclui, ao dizer que: “Apesar desse aviso, o Titanic acelerou a 22 nós, à noite, e encontrou o seu destino”, às 11:40pm, “... a 41º 46’ 00” N, 50º 14’ 00” W. Se ele tivesse dado atenção ao único aviso que transmitiu, provavelmente, teria se salvado”.


quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Coluna SNACK BAR - O Lado B da Humanidade: NEUROMANCER, A MATRIZ DE MATRIX




​             Em 1984, o autor norte-americano William Gibson publicou “Neuromancer”. O primeiro livro da sua afamada “Trilogia do Sprawl”. Ao qual se somam “Count Zero”, de 1986, e “Mona Lisa Overdrive”, de 1988. E que serviu de matéria-prima para outra tríade. Uma franquia cinematográfica em que cada película foi dirigida pelas irmãs Wachowski. Com “Matrix”, em 1999, “Matrix Reloaded”, em 2003, e “Matrix Revolutions”, também, no mesmo ano.


 





​             Ademais, em 1991, no Brasil, o romance foi lançado pela “Editora Aleph”. Trazendo a concepção tecnológica do “Universo” de Gibson para a língua portuguesa. Um “Universo” mascarado pela metafórica égide de um conceito que foi anglicizado pelo nome de “Cyberpunk”. Posto que, nele, o “Plano Astral” é representado pela “Matrix”; enquanto a cidade de “Chiba” equivale a um aspecto decadente do “Plano Material”. Como uma versão pós-moderna da “Rua Santa Efigênia”. Onde, por um aprazível preço, se tem acesso ao que há de mais sofisticado.


 





​             Todavia, em estado mundano, o humano é definido por Samael Aun Weor como uma “máquina adormecida”. Atado a um estágio em que, como, certa vez, exemplificou Rav Ashlag, seus desejos não se diferem dos de outros animais. O que, na cisão entre fracos e fortes, gerou o termo “massa de manobra”. Que discrimina um adestramento coletivo. Em que se faz o escambo entre uma ação e um agrado.
​             Fomentando uma confusa fusão entre “ideal” e “sonho”. Ao se injetar na solidez da ideia as fraquezas concernentes à instabilidade dos devaneios psíquicos que peregrinam pelo pensamento de quem dorme.
​             Logo, a “Matéria” se torna o asilo de entidades que abdicam da polivalência de uma existência alienígena em prol da ambivalência terrena.



 




​             Doravante, no “Evangelho Segundo o Espiritismo”, que, em 1864, foi escrito por Allan Kardec, há uma análise da frase seguinte: “Há muitas moradas na casa de meu Pai”. Um período atribuído à “Fábula de Cristo”. E que trata do que Kardec nomina de “Diferentes Estados da Alma na Erraticidade”. Cuja conclusão é a de que a “casa de Deus” é o “Universo”. Não havendo, por tanto, meios para se afastar ou se afeiçoar à Divindade. Mas sim, de vibrar em uma frequência que permita o acesso a outras “dependências” do cosmo.


 





​             Por isso é que Case – o protagonista da trama – atua como uma espécie de “médium ‘high tech’”. Abrindo os portais do “Ciberespaço”. E, assim, captando experiências que tendem a fortalecer àquele que se disponha a assimilá-las e sobreviver com mais conforto. Para, então, ascender a outro nível de existência. Não se condenando a reiniciar tudo a toda vez que o jogo gora. Como o prisioneiro de um perpétuo pesadelo.


 


quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Verdade Alienígena: EMANUEL SWEDENBORG




​             “No princípio, os povos constituíam uma só nação. Allah enviou os profetas como alvissareiros e admoestadores e enviou, por eles, o Livro, com a verdade, para dirimir as divergências entre os homens”, consta no versículo 213, da 02ª Surata, do Alcorão.
​             Tudo porque, segundo o entendimento da linhagem “judaico-cristã-islâmica”, tudo parte de Adão, o seu 01º homem, e, ao longo da existência, segue por um caminho que, toda vez que se extravia, é corrigido por uma pessoa que nasce incumbida dessa missão.
​             Todavia, essa pessoa, que é tida (e por ser tida) como um “Espírito de Luz”, pode ser chamada de “lúcifer”. Posto que ela “porta a luz” – o conhecimento – que, como uma lanterna ou um farol marítimo, indica uma determinada direção.
​             E mais: essa entidade tem uma ascendência alienígena.
​             Alienígena?
​             Sim! Pois, a quantidade e a qualidade da sua bagagem intelectual extrapolam os limites da cuca de qualquer humano. Tanto que, no fim, ela acaba guiando o naco da humanidade que coaduna com a sua mensagem.
​             Daí, surgindo as religiões, os reinos, os partidos políticos e até as torcidas de times de futebol, por exemplo.
​             De onde se acha que um determinado cidadão tirou a autoridade para incidir sobre o arbítrio de outra pessoa?
​             Ou o que é que leva alguém a aceitar a autoridade de outrem?
​             De quem, no caso?
​             De Emanuel.
​             De “Deus Conosco”?
​             Sim.
​             Aí é fácil.
​             É mesmo?
​             Por quê?
​             Porque o Emanuel de que se trata nasceu em 29 de janeiro de 1688, em Estocolmo, a capital da Suécia. Como progenitores tendo Sarah Behm Swedberg e Jesper Swedberg. E cresceu vendo, à direita, a Igreja Luterana e, à esquerda, o Iluminismo.
​             Iluminismo que se autointitulava como o movimento das luzes.
​             Ou seja, é o movimento de Lúcifer.
​             Lúcifer?
​             E não como significante. Mas como significado.
​             Pois quem mais teria interesse em acabar com a religião, ou com o elo mais popular de religação com o Criador, do que o seu principal algoz?
​             Talvez, “acabar” seja um termo drástico demais. Mas, ao menos, relegá-la a uma superstição; um passatempo para gente ignorante, na concepção dele.





​             Conquanto que do outro lado estava uma instituição que tinha o intuito de se escorar nos princípios da Reforma Luterana, calcada nas “95 teses” que Martinho Lutero pregou na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517.
​             Um texto em que ele versa contra os “vendilhões do templo” de sua época. Os quais, no caso, eram os padres, que vendiam as chaves do Reino do Céu através de uma Carta de Indulgência.





​             Ou seja, cometiam uma espécie de “171 Espiritual”.
​             Pois as portas da “Jerusalém Celestial” estão abertas para quem ama a Deus.
​             Tanto que na Tese de Nº 43 ele diz: “Os cristãos devem ser ensinados que aquele que dá aos pobres ou empresta aos necessitados faz melhor ação do que aquele que compra indulgências”.
​             Posto que, no Capítulo 25, do livro de Mateus, há o julgamento das nações. Que nada mais é do que um relato de uma visão do futuro. Em que, diante de um trono celestial, as nações se postaram e de Jesus, seu ocupante, escutaram: “Pois eu estava com fome, e me destes de comer; estava com sede, e me destes de beber; eu era forasteiro, e me recebestes em casa; estava nu, e me vestistes; doente, e cuidastes de mim; na prisão, e fostes me visitar”.
​             Ao que os justos, a quem as palavras tocaram, retrucaram sobre a data em se dera tal fato.
​             E Cristo respondeu: “... toda as vezes que fizestes isto a um dos mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que fizestes”.
​             Ademais, aos 11 anos, ele ingressou na Universidade de Uppsala, onde Jesper, seu pai, que era sacerdote da Igreja Luterana, trabalhava como professor de teologia.


 



​             Jesper Swedberg que alçado foi ao posto de Bispo da Catedral da cidade de Skara, em 1703.





​             Doravante, em 1709, aos 21 anos, Emanuel completou seus estudos, ao obter uma licenciatura em filosofia, e, de acordo com o etos de sua época, viajou para o exterior.
​             Onde, na Inglaterra, aprendeu as técnicas de astronomia de John Flamsteed.





​             Flamsteed que, em 1675, pelo Rei Carlos II, fora nomeado como o 01º diretor do Observatório Real de Greenwich – no distrito londrino em que se situa o famoso Meridiano.





​             Posteriormente, Emanuel também estudou botânica, geologia, mecânica e zoologia, em Amsterdã e Paris.
​             E, em 1715, aos 27 anos, voltou para casa.
​             Todavia, em 1716, ele começou a trabalhar, como assistente, para Christopher Polhem, o “Dédalo do Norte” – cujo apelido é uma referência ao arquiteto que construiu o labirinto em que o Rei Minos aprisionou o Minotauro.





​             Polhem que dentre suas criações contabiliza a polhemiås – a “fechadura de Polhem”. Que, nos Estados Unidos, é chamada de cadeado escandinavo. Cuja estrutura se resume a um tambor com um fecho em cima que travado é quando uma chave, eroticamente, lhe é inserida na base e girada.





​             Podendo ser encontrado, hoje, em qualquer loja que comercializa ferramentas.
​             Consequentemente, abriu-se, no governo sueco, a vaga de assessor extraordinário do Conselho Real de Minas. E Emanuel foi indicado, por Polhem, ao Rei Charles XII, para assumi-la.





​             E, em 10 de dezembro de 1716, ele acumulou mais essa função.
​             Todavia, Swedberg passou a publicar a revista “Daedalus Hyperboreus”. Uma publicação científica cujo nome fazia uma alusão em latim ao apelido de Polhem. A qual tinha o fim de expor os projetos, em seus pormenores, do cujo e de sua autoria.





​             Sendo que, na edição de 1716, Emanuel publicou um artigo alcunhado de “Máquina Para Voar no Ar”. Descrevendo um veículo, que criara em 1714, que muito se assemelhava a um disco voador.








​             Ademais, em 1718, durante uma incursão militar contra a Fortaleza de Fredriksten, na cidade de Halden, na Noruega, o Rei Charles XII levou um tiro na cabeça e morreu.
​             Então, Ulrica Leonor, seu irmã, tomou o trono.





​             Ademais, em 1719, a Rainha Leonor conferiu à família Swedberg, em função dos feitos do pai e do filho, um título de nobreza, ao renomeá-la como Swedenborg (ou seja, elevou-a de “Montanha Sueca” para “Suécia Forte”).
​             Ora que, no mesmo ano, Emanuel (agora) Swedenborg encerrou sua parceria com Polhem.
​             Ocupando-se, assim, apenas com o Conselho Real de Minas.
​             Contudo, do convívio com o Dédalo do Norte, o Suécia Forte tirou um pensamento em que estabeleceu um paralelo entre o sistema mecânico e a ciência natural.





​             O que o levou, em 1734, aos 46 anos, a publicar a “Opera Philosophica Et Mineralia (Philosophical and Metallurgical Works) – a “Obra Filosófica e Mineral (Trabalhos Filosóficos e Metalúrgicos) –, que escrevera em latim – o idioma universal da época. Cujo 01º volume se chama “Principia Rerum Naturalium” – o “Princípio e a Causa Natural” –, o 02º, “Regnum Subterraneum Sive Minerale de Ferro” – o “Reino Subterrâneo e Mineral de Ferro” – e, em 03º, “Regnum Subterraneum Sive Minerale de Cupro e Orichalco” – o “Reino Subterrâneo e Mineral de Cobre e Oricalco”.
​             (Oricalco que, ademais, era o material que envolvia o Templo de Poseidon, em Atlântida.)
​             Dentre os demais livros que, pospositivamente, ele publicou se destaca “Prodromus Philosophiae Ratiocinantes de Infinito” – a “História da Filosofia Racional do Infinito”. Dado que, a partir deste título, ele passou a flertar com o misticismo. Pois, nele, ele trata da imortalidade da alma.
​             Ademais, em 1735, o Bispo Swedenborg faleceu.
​             Em 1740, então, aos 52 anos, Emanuel se aventurou pela área da anatomia, ao publicar “Oeconomia Regni Animalis” – a “Economia do Reino Animal”.
​             (Entendendo que o termo “economia” é referente ao funcionamento estrutural de um todo; e não, somente, a dinheiro.)
​             Então, em 1743, aos 55 anos, Swedenborg teve a sua 01ª epifania.
​             Epifania?
​             Sim! Pois, uma viagem astral perpetrou.
​             Interpretando-a, contudo, como a memória de um sonho.
​             Um tipo de sonho que se tornou rotineiro.
​             E, dentre os tantos que experienciou, encontrou, em um, um homem que lhe pareceu ser Jesus Cristo.
​             Sendo que essas experiências foram registradas por ele em um manuscrito, que, em 1859, foi encontrado e publicado com o nome de “The Journal of Dreams” – o “Diário dos Sonhos”.





​             Ademais, em abril de 1745, aos 57 anos, seus chakras se abriram completamente. Tanto que, em razão disso, ele passou a vivenciar o mundo espiritual em tempo integral.
​             Então, em 1747, ele fez uma nova transição. Quando não só recusou uma promoção como pediu dispensa do Conselho Real de Minas, após 30 anos de serviços prestados, para se dedicar aos estudos místicos.
​             Todavia, em 1749, aos 61 anos, ele publicou seu 01º livro esotérico: “Arcana Coelestia” – o “Mistério do Céu” –, em que faz uma exegese dos livros do Gênese e do Êxodo. O qual publicou em Londres, com o fim de evitar uma condenação por heresia, na Suécia.





​             Sendo que o termo “heresia” vem do latino “haerĕsis” e se refere àquele que tem uma opinião.
​             Mas que tipo de opinião?
​             Bem, na aula que trata da “Patrística e Escolástica”, do “Curso de História Essencial da Filosofia”, o Professor Olavo de Carvalho disse que “Heresia é uma doutrina cristã” – um conjunto de ideias que sustenta esse tipo de fé. E prosseguiu: “... para uma doutrina ser considerada herética, ela tem de ser cristã, em 01º lugar”. “... não se pode dizer que o budismo é uma heresia. O budismo é outro negócio. É outra religião”, ficando claro que não é um cruzamento de religiões. E sim, um desvirtuamento de uma. Como ele esclarece, ao dizer que “... uma heresia é uma falsa doutrina cristã”.





​             Então, em 1758, aos 70 anos, em Londres, Emanuel publicou novos títulos: “Céu e Inferno” – em que trata da vida além da vida, ao descrever o céu, o inferno e os espíritos que os habitam –, “Cavalo Branco” – em que fala do significado oculto da Bíblia, ao analisar o cavalo branco que é citado em Apocalipse 19:11 –, “Outros Planetas” – em que migra para a ufologia, ao discorrer sobre o contato que teve com os espíritos de pessoas que viveram em Mercúrio, Marte, Júpiter e outros astros –, “Juízo Final” – em que aborda o fato de que o fim dos tempos teria ocorrido, em 1757, no plano espiritual; e cujo efeitos viriam a ser sentidos na 03ª dimensão – e “Nova Jerusalém” – em que versou sobre o evento que se deu depois do Juízo Final: a criação da Nova Jerusalém; não como uma cidade física; mas como uma era espiritual que se iniciaria no século XVIII.





​             Todavia, a partir de julho de 1759, Swedenborg passou a exercitar a clarividência. Quando – como John Smith, o protagonista do romance “A Zona Morta”, de Stephen King –, em um jantar, na cidade Gotemburgo, ele começou a descrever um incêndio, que colocava sua residência, em Estocolmo, em perigo. E, horas depois, se tranquilizou, ao dizer que o fogo fora apagado.
​             O que, após 02 dias, esclarecido foi.





​             Dado que uns mensageiros lhe entregaram um relato que legitimava a visão.
​             Doravante, a prolixa produção de Swedenborg não se estagnou. E, em 1763, ele lançou “Amor Divino e Sabedoria” – em que, além de tratar da natureza de Deus, ele faz uma “DR” entre os mundos físico e espiritual – e, em 1764, a “Divina Providência” – em que discorre sobre a questão: “Se Deus é bom, por que ele permite que o mal exista?” Então, em 1766, ele publicou a “Revelação Revelada” – em que faz uma exegese do livro do Apocalipse.





​             Ademais, ainda nos idos de 1766, em Königsberg, na (então) Prússia (hoje, Alemanha), Immanuel Kant publicou “Sonhos de um Visionário”. Em que refutava a obra de Swedenborg, ao estabelecer um cisma entre “fenômeno” e “ciência”.





​             No caso, realizando o ideal iluminista – de transformar a religião em uma superstição.
​             Mas já não se falou disso?
​             Sim!
​             Quando mesmo?
​             No começo desse artigo.
​             Assim que se tratou da pretensão do algoz de Deus.
​             Que não só se consumou como desembocou em coisa pior: o Positivismo.
​             O arremedo de filosofia do francês Augusto Comte.





​             Sendo que Augusto Comte cunhou a frase: “L’amour pour principe et l’odre pour base; et le progrès pour but” – “O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim”.
​             Da qual, por compactuar com o Positivismo, Raimundo Teixeira Mendes extraiu as palavras que formam o slogan: “Ordem e Progresso”. E o enfiou no desenho da bandeira brasileira, que foi, oficialmente, desfraldada em 19 de novembro de 1889.





​             O que, talvez, explique o fato de o Brasil ser um país atravancado. Ou, como fora observado pelo General Charles de Gaulle, o motivo de que não seja sério. Já que, no coração da bandeira, há uma faixa que, com esse slogan positivista, corta as estrelas. Como que dizendo para um povo edemicamente conservador o seguinte: “Ignore o firmamento”.
​             Mas isso é outro assunto.
​             Ademais, em 1768, a obra de Swedenborg passou para um 02º plano. Ou, pelo menos, permaneceu no 01º, por uma não nobre razão. Dado que, em 27 de dezembro, um obscuro personagem instou o Consistório Luterano de Gotemburgo a proibir a circulação dos livros dele, com o argumento de eram heréticos. Obtendo o apoio do Bispo Eric Lamberg, o presidente do consistório, e de Olof Andreae Ekebom, o reitor da universidade local.
​             Ora que o Reitor Ekebom incrementou a acusação com a conversa de que Emanuel Swedenborg disseminava o socianismo.
​             Socianismo que deriva, por osmose, do nome Socinus. Que, por sua vez, é a versão em latim do sobrenome Sozzini – que é o diminutivo de sozzi: “sujo”; ou seja, “sujinho”.





​             E, assim, o é por discriminar a doutrina que fora pregada pelo teólogo italiano Paolo Fausto Sozzini, no Século XVII. O qual a receberá, “deglutida”, de seu tio, o teólogo Lelio Sozzini.





​             Lelio que, durante suas investigações teológicas sobre a santidade de Cristo, mais especulou do que auferiu.
​             E, por isso, levou o sobrinho a dar um passou adiante e negar, taxativamente, a santíssima trindade, a imaculada concepção e, consequentemente, a divindade de Cristo.
​             Fazendo com que, em 15 de abril de 1769, Emanuel Swedenborg escrevesse uma missiva em que refutava as alegações de Ekebom.
​             Contudo, não adiantou.
​             Já que o imbróglio atingiu dimensões dantescas. Pois, de um lado, estava Swedenborg, um herói nacional, e, do outro, uma acusação de heresia que fora movida pelos membros de uma igreja à qual seu pai servira como Bispo.
​             E, assim, a coisa chegou ao Conselho Real.
​             Onde, em abril de 1770, uma comissão aprovou um relatório em que, praticamente, eram acatadas todas as afirmações de Ekebom.
​             O qual foi aceito.
​             Assim, fazendo com que os partidários de Swedenborg fossem proibidos de usar os textos dele, que seus livros fossem completamente censurados e tirados de circulação, com o adendo de que os funcionários da alfandega confiscassem qualquer obra que lhes caíssem nas mãos.
​             “Lex quanvis irrationatis, dummodo sit clara” – a “lei, ainda que irracional, quando clara, deve ser aplicada”.
​             Contudo, o fato de ela não ser clara não a faz racional.
​             Por isso, em 1771, então, aos 83 anos, Swedenborg começou a escrever o “Verdadeiro Cristianismo”, a fim de voltar para a briga.
​             Porém, não conseguiu publicá-lo. Dado que essa mixórdia acabou com o que lhe restava de saúde. Fazendo com que, em dezembro, em Londres, ele sofresse um derrame.
​             Então, em 29 de abril de 1772, ele faleceu, na capital inglesa.
​             Ademais, seu funeral se deu na Catedral Luterana, que seu pai fundou, em 1710.





​             E, em 1908, seus restos mortais foram levados para a Catedral da cidade de Uppsala.





​             Por fim, 15 anos após a sua morte, em 07 de maio de 1787, na Inglaterra, começou a nascer um movimento que recebeu a alcunha de Nova Igreja, com o fim de peregrinar pelos locais em que Swedenborg perambulou e no qual morreu.
​             Todavia, como um modismo, vários grupos foram criados com esse fim.
​             E, em abril de 1789, esses grupos realizaram a 01ª Conferência Geral da Nova Igreja, em Great Eastcheap, em Londres. Uma conferência que serviu de modelo para outras, que ocorreram em diversas localidades do disco terrestre. Nascendo, de algumas delas, uma estrutura permanente, que passou a existir com o nome fantasia de Igreja Swedenborgiana.


terça-feira, 20 de outubro de 2020

NOTÍCIAS: BANDA ROCK BEATS - LIVE ESPECIAL BEATLES ACÚSTICO




Na sexta, dia 23 de outubro de 2020, às 08:00pm, a banda Banda Rock Beats apresentará a Live Especial Beatles Acústico.











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NOTÍCIAS: MANTIQUEIRA BEER FEST 2026, EM SANTO ANTÔNIO DO PINHAL

De 09 a 12 de outubro de 2026, das 11:00am às 12:00am, ocorrerá o Mantiqueira Beer Fest 2026, no Centro de Eventos de Santo Antônio do P...