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CUESTA VERDE / Jornalismo de Verdade




quarta-feira, 14 de julho de 2021

Coluna SNACK BAR - O Lado B da Humanidade: VIOLENTOS JOVENS

(De Mateusz Duarte & Renato Pop)





​             Alguns violentos jovens se movem
​             Bem depois que todas as sombras somem
​             Sempre prontos pra mostrar que são homens


​             Já que a Morte irá chegar com apreço
​             Conduzindo a foice como adereço
​             Pois jamais irá trocar de endereço


​             No fio da navalha está
​             Toda dor que há


​             A dor do ardor
​             No andor do horror


​             O amanhecer os enxota pro esgoto
​             Pois a cicatriz do mais bravo rosto
​             Mostra que não é mais do que um garoto


​             Pois quem sede o leito para o inimigo
​             Sem pestanejar, lhe dá um castigo
​             Pois não dará para a Morte um amigo


​             No fio da navalha está
​             Toda dor que há


​             A dor do ardor
​             No andor do horror

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Coluna SNACK BAR - O Lado B da Humanidade: CURTINDO A VIDA ADOIDADO

​             Em “A Gaia Ciência”, no trecho intitulado de “329 – Lazer e Ociosidade”, Nietzsche, seu autor, disse que o “... frenesi do trabalho – o verdadeiro vício do novo mundo – já começa a contaminar a velha Europa, a torná-la selvagem ao propagar uma falta de espírito de todo singular. Agora, se tem vergonha do repouso...”. “Um homem de boa origem escondia seu trabalho, se a miséria o constrangia a fazer um. O escravo trabalhava esmagado pelo sentimento de fazer alguma coisa de desprezível: - o próprio ‘fazer’ já era algo de desprezível”.
​             Ou seja, trabalho é coisa de pobre.
​             “Mas não dizem que o ‘trabalho dignifica o homem’?”, pode perguntar um incauto.
​             Não! Só o lembra de que ele não tem onde cair morto.


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​             E, nessa esteira, em 1986, lançado foi o filme alcunhado de “Curtindo a Vida Adoidado” – “Ferris Bueller’s Day Off”; o “Dia de Folga de Ferris Bueller”.
​             Todavia, a obra do diretor John Hughes tem no papel de protagonista o ator Matthew Broderick.


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​             Matthew Broderick que com tanto empenho desempenhou a função que deu a impressão de que perdeu a paixão.
​             Tudo porque essa atuação ofuscou a que perpetrara, em 1985, como Phillipe Gaston, em “O Feitiço de Áquila” e a que fez, em 1989, ao dar vida a Adan McMullen, ao lado de Dustin Hoffman e do lendário Sean Connery, em “Negócios de Família”.
​             Ademais, o filme em questão trata da história de um sujeito que resolve cabular aula.
​             Para tal, tendo um simples e bom argumento: “Não me importa se você tem 50 ou 07 anos, todo mundo precisa de um dia de folga, de vez em quando. É um dia lindo. Como alguém espera que eu vá para a escola?”


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​             Todavia, uma má interpretação do conceito da trama fez com que ela fosse levada à TV, como uma série – a famosa sitcom –, com Charlie Schlatter no papel principal. E com o que, hoje, é uma curiosidade: Jennifer Aniston, em início de carreira. Pois ela deu forma a Jeannie Bueller, a irmã de Ferris.
​             “Mas qual é o problema da série?”, pode indagar o incauto.
​             O fato de ser uma série.
​             E é por isso que ela teve apenas uma temporada de 13 episódios, entre os agostos de 1990 e 1991.
​             Posto que o mote do filme está em contar uma história que se passa em um dia. Um dia anacrônico. E a série teria que tornar o anacronismo crônico. Logo, em algum momento, Ferris teria que pegar a mochila e ir para escola, com o fim de sair da rotina.
​             Ademais, no meio do filme, Ferris Bueller entra em uma parada. Onde, sobre um carro alegórico, dubla a canção Twist and Shout – “Agite e Grite” –, na versão dos Beatles.


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​             Com isso, comprovando a atemporalidade da sua música.
​             Aliás, dando desfecho a uma jogada de mentalismo.
​             Tudo porque as pessoas chegaram a esse momento do filme querendo ouvir os Beatles; e sem saber por quê.
​             Porque a Fab Four foi citada no começo da película. Quando Ferris diz que: “Uma pessoa não deveria acreditar em ‘ismo’”.
​             Aqui se abrindo uma lacuna para falar que ideologia só serve para quem não sabe pensar. E que, por falta de ideias próprias, se escoram nas dos outros.
​             Sem mais, ele continua: “Ela deveria acreditar em si mesma. John Lennon disse isso em seu 01º álbum solo: ‘Eu não acredito nos Beatles / Apenas creio em mim’”.
​             Contudo, os Beatles não precisam que alguém neles creia. Que os ouçam, apenas.
​             No caso, se atendo à energia que a voz de John Lennon transmite em Twist and Shout.


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​             Twist and Shout que é de autoria de Phil Medley e Bert Russell. E cuja 01ª gravação foi feita pelo Top Notes, em 1960. Sendo que 02ª foi efetuada pelo Isley Brothers, em 1962.


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​             Em 1963, alcançando sua 03ª de definitiva versão ao ser lançada no álbum Please Please Me, o 01º dos Beatles.
​             Ademais, qualquer exame de DNA constataria que Twist and Shout é a filha bastarda de La Bamba.
​             O que alguns tentam contemporizar com o papo de que entre ambas há uma progressão de acordes.
​             Mas que, na prática, se trata de um plágio.
​             Dado que La Bamba é uma música de domínio público; órfã de mãe e de pai.
​             Por tanto, sem quem reivindique suas cifras.
​             E ascende do folclore mexicano.
​             Ora que é muito tocada em festa de casamento.


​             Com a sua 01ª gravação sendo ocorrendo em 1939. No álbum de Alvaro Hernández Ortiz, o vulgo El Jarocho.


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​             “Jarocho” que é o qualificativo do nativo de Veracruz, uma cidade do México. Onde, provavelmente, nasceu La Bamba. Pois o seu ritmo é o son jarocho.
​             Com o detalhe de que “jarocho” é o termo que discrimina um bruto. Um caipira. Visto que é oriundo do árabe hispânico “harrúg”, que significa "irado".


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​             Ademais, sua principal gravação foi feita por Ritchie Valens, em 1958.


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​             Mas onde é que se deu o cruzamento de guacamole e tequila com fish and fries?
​             Para se chegar a essa resposta, deve-se entender que o rock é um subgênero do country. Que, por sua vez, uma vertente é da música celta, que os irlandeses levaram para o oeste norte-americano.
​             Sendo que, durante essa metamorfose, ocorreu uma considerável perda de informação. E, em decorrência disso, o rock’n’roll se reduziu a 03 acordes – Ré maior, Lá maior e Mi maior.


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​             O que faz com que ele não se sustente sozinho.
​             Em função disso, escorando-se (ou, como se venturou falar, buscando influência) em outros ritmos. Assimilando, assim, o exotismo da música indiana, a complexidade, incluindo a chatice, da música dita erudita e a lubricidade da música latina.
​             Tanto que a canção (I Can’t Get No) Satisfaction, que os Rolling Stones gravaram no álbum Out of Our Heads, em 1964, é um chá-chá-chá disfarçado de rock.


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​             O que foi detectado por Johnny Rivers, que, na 10ª faixa do álbum At The Whisky a Go Go, fez um medley de La Bamba e Twist and Shout.


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​             Ademais, em 03 de outubro de 2018, no conto “As Garotas da Casa ao Lado*”, que publicado foi no Mochileiro Místico, a concupiscência mencionada foi explorada na (per) versão de La Bamba que ganhou a alcunha de “La Bunda”.
​             Em cujos versos se lê: “Quero comer uma bunda / Quero comer uma bunda/ Uma bunda legal / Uma bunda legal / Com o meu pau / Arromba a bunda / Arromba a bunda”.


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quarta-feira, 2 de junho de 2021

Coluna SNACK BAR - O Lado B da Humanidade: PERDIDA NA ESTRADA

(De Mateusz Duarte & Renato Pop; Voz e Violão, Angélica Vanessa)





​             Você deu mancada
​             E fiquei danada
​             Perdida na estrada
​             Com uma aliança
​             Toda enferrujada
​             Pedindo carona
​             Com dor no coração
​             Pra qualquer caminhão


​             Você deu mancada
​             E fiquei danada
​             Perdida na estrada
​             Igual à cadela
​             Que foi rejeitada
​             Pedindo carona
​             Com dor no coração
​             Pra qualquer caminhão


​             Eu que dei mancada
​             E fiquei danada
​             Perdida na estrada
​             Pelos motoristas
​             Sendo desprezada
​             Lá no acostamento
​             No breu da escuridão
​             Que nem assombração


​             Eu que dei mancada
​             E fiquei danada
​             Perdida na estrada
​             Vestindo o vestido
​             Com que me trajava
​             No meu casamento
​             No breu da escuridão
​             Que nem assombração

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Coluna SNACK BAR - O Lado B da Humanidade: A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER

​             Em 1988, lançado foi “A Insustentável Leveza do Ser”. Uma adaptação cinematográfica do livro homônimo que o tcheco Milan Kundera, seu autor, publicara 04 anos antes. Todavia, a película, conduzida pelo norte-americano Philip Kaufman, tem a sua duração, de mais de duas horas, amainada por Juliette Binoche, no frescor dos seus 23 anos de idade.





​             Mas, durante a história, um detalhe levanta a orelha do espectador mais atento: a melodia de “Hey, Jude”.
​             Sim, a inconfundível música que carrega a assinatura sonora de Paul McCartney. Dado que John Lennon só rubricou a partitura.
​             Só que cantada no idioma tcheco.





​             Cantada por Marta Kubišová.
​             Que nasceu no 01º dia do mês de novembro de 1942, em České Budějovice, na (então) Tchecoslováquia – a, hoje, República Tcheca.
​             E que, no começo dos anos 1960, início a sua carreira musical deu.
​             Ganhando notoriedade nacional em 1966.





​             Quando participou da 01ª edição do “Bratislavská Lyra” – uma espécie de Festival da MPT (Música Popular Tcheca). Em que, em um dueto com Helena Vondráčokva, defendeu a canção “Oh, Baby, Baby”, de autoria de Bohuslav Ondráček e Jan Schneider. Que ficou em 02º lugar.





​             Com a música “Mám Rozprávkový Dom” – “Eu Tenho Uma Casa de Fadas” –, que foi composta por Varoslav Matušik e Eliška Jelínková, sob a interpretação de Karel Gott, atingindo o 01º lugar.





​             01º posto, aliás, que Marta Kubišová alcançou um 1968, com a música “Cesta” – “Caminho” -, de Jindřich Brabec e Petr Rada.





​             De volta a 1966...





​             O sucesso amealhado com o festival rendeu a Marta o convite, por parte do diretor Jan Neměc, para participar do filme “Mártires do Amor” – “Mučedníci Lásky” –, um clássico do “Cinema Verdade” – o “Cinéma Vérité”.
​             Cinema Verdade que é uma narrativa de origem francesa que nada mais é do que filmar uma ficção com linguagem de documentário.





​             Como Woody Allen fez em Zelig, de 1988.





​             Ademais, Marta Kubišová continuou atuando – tanto no cinema como na música – e, em 1969, lançou um compacto simples, que tinha ‘Hej, Jude’, no lado A, e “ Všechny Bolesti Utiši Láska” – “Toda Dor Será Aliviada Pelo Amor, no lado B.








​             Ora que essa versão da obra dos Beatles explicita o malabarismo poético que tem de ser perpetrado para que se encaixe o significado de uma letra na métrica de uma determinada melodia.
​             Que fica evidente logo no 01º verso.
​             O qual deve ser examinado à luz do original, em inglês, da versão tcheca e da brasileira, que foi feita por Rossini Pinto e imortalizada por Kiko Zambianchi no álbum “Era das Flores”, de 1989.





​             Em português: “Hey, Jude, não fique assim”.
​             Tcheco: “Hej, Jude, co dá ti pláč” – “Hey, Jude, o que te faz chorar”.
​             E o original: “Hey, Jude, don’t make it bad” – “Hey, Jude, não piore as coisas”.
​             Logo, as 03 primeiras sílabas – “Hej”, “Ju” e “de” – são pronunciadas em acordo com as originais.
​             Depois, na 04ª – “co” (cuja pronúncia é “so”) –, se mantém o som fechado da letra “o”, ao contrário da brasileira, que busca uma paridade nasal com a original – “não” e “don’t”.
​             A 05ª – “dá” –, só mantém a tonicidade da inglesa. Uma tonicidade que, na brasileira, foi acrescida de uma aproximação sonora por meio da letra “i” – já que “ma” (que se articula como “mei) ecoa em “fi”.
​             E, na linha das palatais, na 06ª, as 03 vão pelo mesmo caminho – “ke” mais "it", “ti” e “que”, a qual se junta o “a”, em função da contagem de sílaba poética.
​             Por fim, na 07ª, há o “pláč” (que se lê “plach”), que, de longe, esbarra em “bad”. “Bad” que, em espírito, topa com o “ssim”, posto que o verso termina em uma sílaba tônica.


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