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CUESTA VERDE / Jornalismo de Verdade




quarta-feira, 25 de outubro de 2023

A MÁQUINA DA VERDADE





​             Em 2013, em um grande jornal do estado de São Paulo, cujo nome se ocultará, dado que, hoje, ele se transformou em um panfleto do “consórcio”, publicado foi o artigo que tratava da Coleção Vagalume, da Editora Ática.
​             Levando Mateusz Duarte, antes de escrever “A Máquina da Verdade”, a se lembrar de como os livros da Coleção Vagalume eram bons.
​             Sim, eram tão bons que nem a escola conseguia estragá-los, ao colocá-los da sua agenda de leituras obrigatórias.
​             Logo, o salto que “A Máquina da Verdade” deu da imaginação para a realidade, como em um capítulo de “Além da Imaginação”, tomou impulso quando o autor se imaginou como parte de sua própria história.
​             Não como paciente.
​             E sim, como agente.
​             Já que ele se imaginou como um homem do futuro que escrevia um livro que iria ser lido pelo menino que ele era, no passado.
​             A partir daí, a narrativa que norteou o texto teve como inspiração as séries “Anos Incríveis” e “Todo Mundo Odeia o Chris”. Também se computando o filme “Conta Comigo” – aliás, não há como citá-lo sem balbuciar trechos da canção “Stand by Me”, de Ben E. King. Tudo porque nessas histórias o protagonista conta, comenta e “corneta” as aventuras de sua infância.


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​             O que cobre “A Máquina da Verdade” com uma aura de saudosismo.
​             Dado que a trama tem todas as características de uma autobiografia.
​             Principalmente, porque o autor, propositalmente, utilizou, como pano de fundo, alguns dos palcos de sua vida – como o bairro de Santana, o Metrô Santana e o Empório Laura Aguiar (o vulgo Bar do Zé).





​             Sem se esquecer, é claro, do Edifício Martinelli.
​             O que o levou a fazer uma investigação sobre William Fillinger, seu arquiteto. Que, misteriosamente, desapareceu.
​             Chegando, após uma associação de nomes e sobrenomes, à bisneta do cujo. Uma pessoa que, a priori, se mostrou atenciosa. Com o papo de que queria restaurar a história do bisavô.
​             Contudo, como ele, ela, também, misteriosamente, sumiu.
​             Em todo caso: “The Show Must Go On”!
​             (Tal como Freddie Mercury cantava à frente do Queen.)





​             Ademais, no enredo se destaca a relação entre pai e filho.
​             E, aqui, há de se entender que não existe curso para ser pai.
​             Logo, por falta de uma orientação (principalmente) religiosa, o cujo não entende que ele precisa preparar o rebento para cumprir sua missão nesse plano.
​             Por isso, em alguns casos, com o intuito de ser rigoroso, o sujeito se torna uma espécie de carrasco; até externando algum sadismo. Ou se transforma em um “amigão”; retardando o amadurecimento da criatura.
​             Entretanto, o progenitor do protagonista é um anti-herói. Um cidadão politicamente incorreto. E que, por isso, em muitos casos, age como uma espécie de anjo. Um Sr. Miyagi ocidental. Ajudando seu filho a encontrar o caminho do sucesso.
​             Por fim, com a história pronta, foi-se atrás da Vagalume.





​             Só que a bunda deste Vagalume não brilhava mais.
​             O que fazer?
​             Abortar o Plano A?
​             Ou apenas tirar o nome “Vagalume” dele?
​             Bem, ele alterou o Plano A ao tirar o nome do coleóptero dele.
​             Posto que a sua proposta era a de atuar com outras pessoas, e, assim, alcançar um público diferenciado, dentro do universo infanto-juvenil; com isso, colocando uma alternativa conservadora no mercado.
​             Pois uma das principais preocupações de todo pai é a de que seu guri seja ensinado a pensar. E não, ser submetido a um pensamento esquerdista por meio de adestramento.
​             Assim, se foi em busca das pequenas editoras.
​             Por que não das grandes?
​             Porque requer um convite.
​             Algo que para um autor que, em outros tempos, seria qualificado como “underground” estava fora de cogitação.
​             Ademais, entre as pequenas, se perambulou por um “Parque de Pirâmides Literárias”.
​             Inviabilizando a materialização da obra.
​             (Entretanto, rendeu um artigo alcunhado de “A Segunda Divisão do Mercado Editorial Brasileiro”, que foi publicado, em 26 de abril de 2017, no blog “Mochileiro Místico”.)
​             O que, aos poucos, tirou o ânimo do autor.
​             Até que, enfim, ele a engavetou.





​             Contudo, 10 anos depois do movimento inicial, ele ouvia o “Programa 4 Por 4”, no canal homônimo do Youtube, quando escutou Luís Ernesto Lacombe, seu apresentador, dizer que tinha escrito um livro infantil.
​             “Eu também escrevi”, ele pensou.
​             Na verdade, como já foi dito, se trata de um livro infanto-juvenil.
​             Mas que também serve.
​             Então, ele tirou a obra da gaveta, bateu-lhe o pó e a publicou pelo Clube de Autores, onde tinha publicado antes.



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