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CUESTA VERDE / Jornalismo de Verdade




sábado, 4 de outubro de 2014

O DESABROCHAR DE UMA DRÍADE (O Ensaio de Jessika Alves para a Playboy)

​             Pelo prisma de Riobaldo – o protagonista do romance –, em “O Grande Sertão: Veredas”, que publicado foi em 1956, seu autor, João Guimarães Rosa tramou um trâmite na trama para a trama desfazer de emanações que dão forma à vida de qualquer pessoa.
​             Como quando o cujo relata a sua passagem pela Fazenda Santa Catarina.
​             “Ela era risonha e descritiva de bonita, mas, hoje em dia, o senhor me entenderá, nem ficava bem conveniente, me dava pejo de muito dizer”, disse o envergonhado diabo, ao se recordar do primeiro contato com Otacília, sua fadada esposa.
​             Pois, não há, para marmanjo algum, terreno mais propício ao exercício de sua sapiência do que o couro de uma moça. O qual ele sabe quando cutucar, onde machucar e como curar. Da distância que a separa dos vícios causados pelo tempo, assim, se aproveitando para adestrá-la na arte do prazer.
​             Uma arte que é discretamente alardeada na edição de Nº 471 da Playboy de agosto de 2014. Que tem Jessika Alves no posto de estrela do mês.
​             Em que, no entanto, há um conflito entre a intérprete e a interpretada. Quando ela vive uma ninfa que não mostra as ninfas. Embora haja a estranha insistência em personalizá-la com fragmentos de transgressão. Mas que só agridem ao bom-senso. Pois não passam de clichês: como o tabagismo e o alcoolismo.
​             E assim, sob o olhar da fotógrafa californiana Autumn Sonnichsen, ela exibiu suas partes pudendas nas dependências do Hotel Fazenda Florença, que é situado na cercania da cidade de Conservatória, no Rio de Janeiro.
​             Onde, inicialmente, executou algumas atividades ao ar livre.
​             Indo de um banho de Sol, sobre uma manta com franjas do “Juventus”, a um banho com água de rosas, no interior de um tacho.
​             Sem, contudo, conseguir alcançar o grau elevado de suavidade que o seu papel requer. Do tipo que faz querer levá-la para casa e cobri-la de mimos. Já que seu corpo possui a firmeza de quem sabe que “a vida não é um arco-íris. É a tragédia do cara que, depois de um exaustivo ‘chaveco’, engravidou, por acidente, a filha da vizinha e gerou um rebento retardo, pois não sabia que ela era fruto da canalhice de seu pai”, como, talvez, dissesse o “Treinador” – personagem vivido por Léo Lins no programa “The Noite”, do SBT. O que a deixa como a mulher que se leva para o motel e esquece por lá. Visto que, ao ser inquirida sobre a sua tranquilidade em posar nua, ela responde: “Fui criada com dois irmãos e nunca tive essa coisa de ‘não toca ali, porque ali é peito, e peito é proibido’. Era tudo muito aberto e natural”.
​             Como se vê na borboleta tatuada que, abaixo do umbigo, aparenta estar se preparando para pousar sobre a sua vagina. A qual é adocicada por uma réstia – a Carlitos – de pelos.
​             Ou no contraste que há entre seu pequeno seio, de bico murcho, e seu olhar lânguido. Típico da mulher que não se acanha ao praticar antropologia na sunga de terceiros.
​             Quando, enfim, se chega à sodomia lúdica. Posto que, aos poucos, se entra na bunda dela.
​             Começando com a marca de biquíni que, como uma seta, penetra-lhe no rego. Mas que, porém, tem seu trajeto travado pela calcinha de renda que ela arria.
​             Todavia, esse núcleo sedutor de circunferências e reentrâncias é exposto em doses homeopáticas. Primeiramente, ao ser coberto com uma meia-calça arrastão e esquentar o selim de um biciclo. E, em seguida, ao ser mostrado sob a sombra de uma sombrinha, de ¾ de perfil e à porta de um Packard Super 8 Touring Sedan de 1938.
​             Por fim, Jessika vai para o conforto do casarão da fazenda.
​             Onde, como a dona de casa dos sonhos, perambula só de pantufas e penhoar.
​             Entretanto, ela carece de se nutrir. E, antes de prato principal, se delicia com um quindim. Quindim que, aliás, foi servido para dois.
​             Consequentemente, levando à conclusão de que há uma contradição quando se diz que “o homem come a mulher”. Pois, quando o varão se extravia da reta, no campo gastronômico, fica obeso. Tal qual ocorre com a dita, na seara da safadeza. Que, quando não anda na linha, também fica com o bucho inchado.



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