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CUESTA VERDE / Jornalismo de Verdade




sexta-feira, 16 de maio de 2014

A MULHER DO PRÓXIMO (O Ensaio de Gaby Potência para a Playboy)

​             Em 2005, Matt Blum, um fotógrafo norte-americano, deu início ao “The Nu Project”. Ou o “Projeto Pelado”. Que consiste em rodar o mundo em busca da mulher mundana. Com a ideia de que, ao desnudá-la, se despirá o seu apreciador dos seus conceitos, ao atiçá-lo com o fetiche que está contido no Décimo Mandamento: “Não cobiçar a mulher do próximo”.
​             Tudo porque as suaves imperfeições do corpo de uma mulher se traduzem nos códigos que a tornam acessível à malícia de qualquer marmanjo malvado. Que, por elas, faria a cuja se submeter aos caprichos da sua voluptuosidade sexual. Assim, relegando à condição de “macho furtivo” o cidadão que um dia ousou desposá-la.
​             Todavia, a edição de Nº 467 da Playboy de abril de 2014, logo na capa, expõe a estrela do mês, Gabriela Fontenelle (discriminada sob a alcunha de Gaby Potência), com uma câmera Aires Automat nas mãos. Segurando-a diante da vulva. Com isso, suscitando uma analogia entre ambas, ao simplificá-las em um instrumento que saca o fotografado da realidade e o congela no tempo. Sem se empolgar, talvez, com a menor imperfeição que o dito possa ter.
​             Ademais, tal qual sua antecessora, Mari Silvestre, Gaby Potência é um derivado da TV aberta brasileira. Pois, enquanto a outra brilhou dentro do elenco do “Caldeirão do Huck”, ela se destacou como uma das atrações sensuais do programa “O Melhor do Brasil”, da Rede Record.
​             Contudo, dentro da cultura contemporânea, e de um quarto no Sheraton São Paulo WTC Hotel, o ensaio fotográfico conduzido por Ricardo Corrêa se mantém em um universo de muita pele e nenhum pelo. Perpetuando a ausência do item que separa as mulheres das meninas. O que, para Gaby, não resulta em prejuízo. Posto que seus atributos físicos não são encontrados em menina alguma ou em “84,7%” das mulheres.
​             A começar pelo rosto: uma efígie nervosa que molesta quem quer que a encare.
​             Mais a cabeleira preta que, em contraponto ao pescoço, faz o vampiro afiar os dentes.
​             Quando, por entre os seios, se passa pelo palco de uma “espanhola” que, nas idas e vindas, ampliaria as expectativas dela e de seu pretenso amásio.
​             Sendo que, quanto a ele, o motivaria a se esfregar pelo marombado abdome dela. Enquanto que Gaby se umedeceria a ponto de lhe marinar o membro no caldo do coito.
​             Com quanto que no verso há uma bunda que, a ser acentuada pela estreita cintura, se faz afrodisíaca.
​             O que remete a uma indagação: “Como é que nenhuma fábrica de papel higiênico nunca contratou uma “boa de bunda” para ser sua garota-propaganda?”
​             Afinal, qual é a mulher que “ganha o pão pela bunda” que não se higienizaria com um produto qualificado?
​             Por fim, pelas coxas gostosas se chega à única parte do bronzeado corpo de Gaby que não é revelado: os pés. Aos quais, de joelhos, todo homem estaria apto a cair de boca na risca que a cuja carrega em meio às pernas.



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